Sem concurso desde 2009, políticos usam educação como ‘curral eleitoral’ no Tocantins

Agnaldo Araujo - |
Foto: Divulgação
O MPE investiga os contratos supostamente realizados de forma irregular

As contratações irregulares de professores pelo Governo do Tocantins para a rede pública de ensino serão alvos de investigação do Ministério Público Estadual (MPE). O inquérito civil público foi instaurado no dia 03 de abril de 2018 na 6ª promotoria de justiça de Araguaína.

Denúncia feita ao MPE aponta que o último concurso para professor do Estado foi realizado em 2009, ou seja, há 9 anos. Desde então, o Governo tem suprido a deficiência de professores mediante contratações diretas.

No último mês de março, o Governo prorrogou quase 7 mil contratos temporários apenas na Educação.

Mas o que chama a atenção é o fato de que essas contratações obedecem exclusivamente ao critério da indicação política de deputados, prefeitos e vereadores que integram a base aliada do Governo, violando princípios da impessoalidade, moralidade e do concurso público.

Um professor graduado em matemática pela Universidade Federal do Tocantins já relatou ao AF Notícias a dificuldade para conseguir um contrato de trabalho na educação do Estado devido à interferência política. Ele disse, na época, que entregou currículo em várias Diretorias Regionais de Educação, inclusive em Araguaína, mas não obteve retorno. Matemática é uma das áreas com maior déficit.

No relato, o professor conta que foi orientado a pedir ajuda a ‘algum político’ para conseguir o emprego. Indignado, ele afirmou que não se sujeitaria a essa ‘barganha’ por questões éticas.

Na ocasião, o professor também cobrou ação por parte do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet) para coibir essa prática imoral. O presidente da entidade, José Roque Santiago afirmou que o sindicato luta contra ‘todas as ingerências políticas nas escolas‘. 

Santiago acrescentou que o sindicato reivindica a realização de concurso público na rede estadual de educação há muito tempo, mas não obtém resposta do Governo. O Sintet chegou a ajuizar um mandado de segurança coletivo em 2016 para que a justiça obrigue o Estado a realizar concurso público, mas nada foi resolvido até agora.

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