Simulação de desaparecimento de criança em praia de Palmas divide opiniões

Agnaldo Araujo - |
Foto: Reprodução TV Anhanguera
Simulação de desaparecimento na Praia do Prata

Nielcem Fernandes // AF Notícias

Uma simulação realizada pelo Corpo de Bombeiros e Polícia Militar na Praia do Prata em Palmas, na tarde de domingo (1º), dividiu opiniões e causou muita polêmica na capital.

Na ação foi simulado o desaparecimento de uma criança de aproximadamente cinco anos. Atores e até o helicóptero da Secretaria de Segurança Pública do Estado deram tom de veracidade à encenação, que convenceu imediatamente populares, causou comoção e preocupação na comunidade palmense.  O ‘suposto’ desaparecimento viralizou nas redes sociais de todo o Estado.

O assunto foi tão comentado que chegou a ser noticiado pelo Jornal do Tocantins. Por outro lado, vários veículos de comunicação procuraram as fontes oficiais, mas não tiveram a confirmação do desaparecimento. Mesmo assim, alguns sites de notícias reportaram o desaparecimento baseado nos relatos de testemunhas que viram a suposta mãe desesperada à procura da criança.

O objetivo é alertar a população sobre os cuidados com as crianças e os riscos na temporada de praia, mas acabou dividindo opiniões. Enquanto alguns aprovaram a ação com intuito de conscientizar a população, outros afirmaram que a simulação foi de extremo mau gosto. A simulação foi confirmada oficialmente à imprensa apenas na manhã desta segunda-feira (02).

O 3º sargento da Polícia Militar, Wanderson Leandro, deixou uma recomendação, principalmente para quem leva crianças para a praia. “Não deixar a criança sozinha, pois isso pode acontecer com qualquer pessoa. Na praia tem que ter toda a atenção voltada a seu filho, que é o maior patrimônio que você tem”, disse.

Só este ano, o Corpo de Bombeiros registrou 18 mortes por afogamento no Tocantins. No ano passado, durante o primeiro semestre, foram registrados 25 casos de afogamento e 10 mortes só na temporada de praia.

A simulação foi acompanhada apenas pela TV Anhanguera, o que causou mau estar entre as corporações e os demais veículos de comunicação. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins (SINDJOR-TO) emitiu uma nota oficial na qual questionou o tratamento diferenciado da informação.

NOTA DO SINDJOR

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins acompanha com preocupação a estratégia utilizada por órgãos de segurança neste domingo, 1, para chamar atenção de situação que ocorre no Tocantins, relacionada a afogamentos e desaparecimento de pessoas, em especial, crianças, durante a temporada de praias.

O SINDJOR entende que são princípios básicos e norteadores da atuação da imprensa, a transparência e o acesso amplo aos dados disponíveis.

De forma que, no ato da divulgação dos primeiros informes sobre o suposto caso de desaparecimento de uma criança numa praia de Palmas, toda a imprensa deveria ter sido informada que se tratava de uma simulação.

Assim, seria possível evitar que veículos de comunicação divulgassem notícia inverídica, gerando comoção, confusão na cabeça das pessoas, ainda mais em tempos de Fake News. O Sindjor não é contra estratégias de conscientização da população, mas sim contra o tratamento diferenciado com os jornalistas.

Foto: Reprodução Internet
A simulação causou pânico entre os presente e as falsas informações ganharam corpo nas redes sociais

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