Temer decide disputar a reeleição e avisa aliados que defenderá ‘legado e honra’

Redação AF - | - 631 views
Foto: Divulgação
Presidente da República Michel Temer

O presidente da República, Michel Temer (MDB), comunicou a interlocutores a disposição em ser candidato nas eleições de outubro. As movimentações já começaram a ser discutidas entre o grupo político do emedebistas, segundo o jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo a reportagem, apesar dos baixos índices de aprovação do seu governo – 6% segundo o último levantamento do Instituto Ibope -, o presidente acha que ninguém melhor do que ele será capaz de defender seu legado e sua própria honra.

Mesmo sabendo que esse patamar de popularidade é um obstáculo pesado para sua candidatura, Temer acha que poderá melhorar de situação com a confirmação da recuperação da economia e com outras medidas que pretende adotar até o final de seu mandato.

Uma das estratégias do presidente será partir para a ofensiva: em vez de esperar que aliados o defendam de acusações de corrupção, ele próprio vai rebater os ataques.

Temer não tem a pressão do calendário eleitoral, já que pela legislação ele não precisa deixar o cargo até abril para concorrer – como acontece, por exemplo, com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Este precisa, obrigatoriamente, deixar a pasta nos próximos dias se quiser concorrer ao Planalto. Por isso, Temer não tem pressa – pode decidir até julho – e vai esticar ao máximo o anúncio oficial de sua candidatura. Com isso, evita também a politização de todas as futuras ações de seu governo.

Quando assumiu o governo, Temer se comprometeu com os partidos aliados a não tentar uma eventual reeleição em troca da sustentação política. O problema é que o quadro que havia em 2016 mudou radicalmente, na sua avaliação. O senador tucano Aécio Neves (MG), que poderia ser um candidato em potencial em 2018, saiu do páreo depois das investigações abertas a partir do escândalo da J&F. Além disso, depois de ser central na formação do primeiro escalão de Temer, o PSDB passou a adotar tom crítico e se afastou do governo federal.

INVESTIGAÇÃO

Em 27 de fevereiro,  o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou o inquérito que investiga Temer por supostamente beneficiar empresas do setor portuário ao editar o Decreto dos Portos, assinado em maio de 2017. Barroso concordou com pedido a Polícia Federal e concedeu mais 60 dias para a apuração do caso.

Em junho do ano passado, o inquérito contra Temer foi aberto por solicitação do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

A apuração mira os possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva. Entre as beneficiadas, estariam as empresas Rodrimar e também a holding J&F, controladora da JBS.

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