Travesti é acusada de matar colega por disputa de ponto de prostituição em Araguaína

Agnaldo Araujo - |
Foto: Polícia Civil
A decisão da justiça é inédita e pode beneficiar outros trans

A Polícia Civil do Tocantins prendeu nesta quinta-feira (7) a travesti Kellyta Rodrigues de Sousa, de 29 anos, [Samuel Rodrigues de Sousa] acusada de participação na morte de Marclei de Sousa Lima, nome social ‘Vitória Castro’.

O crime aconteceu no dia 11 de abril de 2017 na Avenida Bernardo Sayão, Setor Entroncamento, em Araguaína, em razão de suposto desacordo envolvendo a prostituição. A vítima teria sido morta por não aceitar um acordo com a acusada em relação ao ponto.

Segundo a Polícia Civil, Vitória Castro se prostituía no local há vários anos, juntamente com outros travestis, quando foi espancada covardemente, provavelmente com pedaço de madeira ou barra de ferro. Ela morreu dias depois em razão de traumatismo cranioencefálico.

Conforme testemunhas, no início do ano de 2017, a acusada chegou a Araguaína alegando que o ponto de prostituição lhe pertencia por tê-lo adquirido anteriormente de outro travesti. Em razão disso, todos que trabalhavam naquele local deveriam pagar uma taxa, além de percentuais sobre os programas com clientes.

Ainda segundo testemunhas, a acusada patrocinava cirurgias plásticas e preenchimento das mamas com silicone em Goiânia para travestis de Araguaína e o pagamento deveria ser realizado com os lucros dos programas. Assim, diante da dívida contraída e do aluguel do ponto, vários travestis passaram a trabalhar para Kelly, pois nunca conseguiam saldar suas dívidas.

Contudo, segundo a polícia, a vítima não aceitou os termos do acordo proposto por Kelly, passando a ser vista como um entrave à lucrativa atividade de aliciamento para a prostituição instalada em Araguaína.

Logo após o crime, a acusada retornou à Goiânia, onde foi presa suspeita de cometer outro homicídio pelas mesmas razões e modo semelhante de execução. A Polícia Civil de Goiás descobriu que Kelly fazia parte de uma organização voltada para a exploração sexual e vários crimes, inclusive homicídios.

Em depoimento à polícia, Kelly negou participação no homicídio, mas confessou o assassinato ocorrido em Goiânia. A acusada foi encaminhada à Cadeia Pública de Babaçulândia e ficará à disposição da Justiça.

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