Vereadores aliados de Amastha receberam parte dos R$ 7 milhões desviados da Prefeitura de Palmas

Redação AF - |
Foto: Divulgação/AF
Vereadores investigados no esquema

A Polícia Civil do Tocantins confirmou que os vereadores de Palmas investigados na 2ª fase da Operação ‘Jogo Limpo’, deflagrada nesta sexta-feira (3), receberam recursos públicos desviados dos cofres  da Prefeitura da Capital.

Três parlamentares tiveram as prisões temporárias decretadas pela Justiça: o presidente da Câmara, Folha Filho (PSD), e os vereadores Rogério Freitas (MDB) e Major Negreiros (PSB), além de um ex-vereador, servidores públicos, empresários e presidentes de entidades.

Freitas já está preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP) e os outros dois vereadores são considerados foragidos.

A Polícia Civil estima que foram desviados cerca de R$ 7 milhões. O esquema ocorreu durante a eleição de 2014, na gestão do ex-prefeito Carlos Amastha (PSB), e irrigou as campanhas eleitorais.

Negreiros e Freitas eram aliados de Amastha até 2015, ano em que romperam as relações políticas. Já o presidente da Câmara Folha Filho continua sendo o ‘braço direito’ do colombiano.

O delegado Guilherme Rocha Martins, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Maior Potencial Contra a Administração Pública (Dracma), afirmou que as investigações detectaram transferências de recursos das empresas utilizadas no esquema para contas bancárias pessoais dos vereadores.

Rogério Freitas recebeu R$ 40 mil e Folha, R$ 10 mil. Já Major Negreiros teria recebido nas contas de aliados e familiares.

“Boa parte do dinheiro [desviado] foi para políticos ou pessoas indicadas por eles, alguns candidatos em plena campanha eleitoral. O maior volume de aprovação, transferência e execução desses recursos foi em plena campanha eleitoral, entre setembro e outubro de 2014”, disse o delegado.

Ainda segundo o delegado, o que demonstrou claramente o envolvimento de agentes públicos no esquema foi a velocidade do trâmite processual para firmar os convênios com as entidades suspeitas, bem como a liberação dos recursos.

“Processos que demoram de quatro a cinco meses para tramitar de forma lícita e legal, demoravam de 4 a 12 dias. O trâmite administrativo-financeiro foi facilitado por servidores cooptados pelo esquema”, esclareceu.

O esquema criminoso de desvio de verbas públicas funcionava através da realização de convênios com a Fundação de Esportes e Lazer de Palmas (Fundesportes), bem como Secretaria de Governo e Relações Institucionais de Palmas.

O delegado disse que o esquema foi arquitetado dentro da própria Fundesportes e da Secretaria de Governo, em 2014. “Fizeram chamamentos públicos já com a intenção de fazer desvios de recursos. Credenciaram entidades que já estavam engajadas no esquema, receberam convênios, lavaram o dinheiro, pegaram notas fiscais frias e transferiram recursos para empresas envolvidas no esquema ou devolviam aos presidentes para ser repassado aos demais integrantes do esquema, servidores e políticos”, revelou.

Foto: Nielcem Fernandes/AF
Delegados revelam como funcionava o esquema

Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão e até agora 22 mandados de prisão temporária, contra Presidentes de Associações, empresários, servidores públicos e políticos suspeitos de envolvimento.

As prisões e buscas foram realizadas nos Municípios de Palmas, Goiânia, Fortaleza do Tabocão e Aparecida do Rio Negro. Essencialmente, empresas fantasmas emitiam notas fiscais frias para justificar despesas e serviços não realizados na prestação de contas dos convênios, sendo que os valores recebidos eram desviados para servidores públicos, presidentes de entidades, empresários e agentes políticos.

Foto: Nielcem Fernandes/AF
Detalhe do esquema

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