Movimento articulado pela direção nacional contraria base estadual.
Notícias do Tocantins - Um movimento que expõe tensões internas no PT do Tocantins aponta para uma possível aliança com o grupo da pré-candidata ao Governo do Estado, a senadora Dorinha Seabra (União Brasil), com foco nas eleições de outubro de 2026. A articulação partiria da direção nacional do partido e ocorreria à revelia da base estadual.
Segundo apurações de bastidores, a iniciativa não teve origem no diretório local e é vista por correligionários regionais como uma decisão “de cima para baixo”, o que tem gerado desconforto interno.
Um dos fatores que sustentam a possível aproximação com Dorinha é sua atuação no Senado. Apesar de ter sido eleita com apoio de setores da direita, a parlamentar tem mantido postura alinhada ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com cerca de 88% de votos favoráveis a pautas do Executivo até março de 2026. Ela também já dividiu palanque com o presidente em agendas no estado, como eventos relacionados à regularização fundiária.
Contradição política no palanque
Caso se confirme, a composição colocará o PT ao lado do grupo da base do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), de quem os petistas tocantinenses fazem oposição no estado.
Além disso, a aliança pode levar o partido a dividir espaço com o senador Eduardo Gomes (PL) - legenda bolsonarista que faz oposição direta ao governo Lula. Nos bastidores, o cenário é interpretado como um contraste com a polarização observada no plano nacional.
A movimentação também representa um revés na estratégia inicial do partido para o pleito, que priorizava a disputa ao Senado Federal com o nome do ex-deputado Paulo Mourão.
Com a possível aliança, a viabilidade de uma candidatura própria do PT ao Senado perde força, uma vez que, no grupo de Dorinha, os nomes do senador Eduardo Gomes e do deputado federal Carlos Gaguim já aparecem consolidados para as duas vagas em disputa.
O que diz o Diretório Estadual do PT
O Partido dos Trabalhadores no Tocantins se manifestou sobre a reportagem e afirmou que recebeu o conteúdo com “surpresa”, além de destacar qual é a orientação política no estado:
“A diretriz central da política do PT no Tocantins é a construção de um palanque sólido para a reeleição do presidente Lula, aliada ao fortalecimento do campo democrático.”
A sigla afirmou que mantém diálogo com diferentes forças políticas:
“O partido mantém diálogo aberto com os diversos atores políticos do estado, com pleno respaldo da Direção Nacional. A reportagem, no entanto, apresenta uma narrativa que não corresponde aos fatos e que pode ser prontamente esclarecida junto às direções estadual e nacional do PT.”
Nota da Redação
A reportagem reafirma que todas as informações publicadas foram devidamente apuradas e confirmadas com fontes ligadas ao PT, tanto no âmbito regional quanto nacional.
O conteúdo destacou, com base nessas apurações, que o movimento de aproximação política em discussão parte da direção nacional da legenda, mesmo diante de resistências no diretório estadual - ponto central da análise apresentada.
A Redação ressalta ainda que intervenções da direção nacional na definição de alianças e na formação de palanques estaduais não são incomuns na dinâmica interna do partido. Esse, inclusive, é um dos aspectos em debate dentro da atual direção estadual, que busca maior protagonismo e autonomia nas decisões políticas no Tocantins.