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​​​​​​​SUCESSÃO 2026

A 'sinuca de bico' para fechar a chapa majoritária governista e o protagonismo de Amélio

Presidente da Aleto reafirma pré-candidatura ao governo e embola o jogo.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 1.858
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13/02/2026 14h20 - Atualizado há 2 semanas
Impasse é agravado pelo fato de todos os personagens estarem no mesmo campo político

Notícias do Tocantins - A montagem da chapa majoritária governista para as eleições de outubro de 2026 virou uma 'sinuca de bico' para o núcleo político do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). O desenho que parecia pacificado há poucos meses - especialmente após a reaproximação com a senadora Dorinha Seabra (União Brasil) - passou a enfrentar resistência interna e reabriu a disputa pela sucessão ao Palácio Araguaia.

A consolidação de Dorinha como pré-candidata do grupo ao governo encontrou resistência justamente de quem era tratado, até então, como sucessor natural: o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos).

Arranjo que isolou o presidente da Assembleia

O acordo costurado nos bastidores previa uma chapa governista com Dorinha ao governo, um vice indicado pelo Republicanos e duas vagas ao Senado distribuídas entre Eduardo Gomes (PL) e Carlos Gaguim, que, para acomodar o partido do governador, aceitou deixar o União Brasil e migrar para o Republicanos. 

A equação, no entanto, acabou isolando Amélio. Até então apontado como o nome preferido de Wanderlei para sucedê-lo, o presidente da Assembleia passou a enxergar seu espaço político reduzido dentro da própria base.

De aliado estratégico a ator central

O isolamento produziu mudança de postura. Interlocutores do grupo tentaram convencer Amélio a aceitar a vaga de vice na chapa encabeçada por Dorinha, mas a reação foi negativa. O parlamentar deixou a posição de articulador discreto e “fiel escudeiro” do governador para assumir protagonismo público.

O gesto mais simbólico recentemente foi a articulação para derrubar o veto do governador à criação da Região Metropolitana de Araguaína - pauta sensível ao Executivo. A movimentação de Amélio e a defesa aberta do projeto resultaram no envio de uma nova proposta pelo governo, aprovada e sancionada rapidamente.

Integrantes da base afirmam que a solução só avançou após articulação direta de Amélio junto ao Executivo para superar entraves jurídicos. Para aliados, o episódio evidenciou capacidade de articulação e liderança institucional. Para setores mais críticos, representou um recado político claro: o presidente da Assembleia não aceita papel secundário na sucessão.

Três candidaturas ao Senado?

No auge das negociações, chegou a ser ventilada a hipótese de lançar três candidatos ao Senado dentro da própria base - acomodando Eduardo Gomes, Gaguim e o próprio Amélio. A alternativa, no entanto, foi descartada por estrategistas, que alertaram para o risco de pulverização de votos e eventual fortalecimento da oposição.

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Pré-candidatura formalizada

O movimento ganhou contornos definitivos quando Amélio formalizou, nas redes sociais, sua pré-candidatura ao governo. “Coloco meu nome como pré-candidato ao Governo do Tocantins com o coração cheio de fé, responsabilidade e compromisso”, declarou.

A manifestação ocorreu dias após Wanderlei, ao ser questionado sobre quem apoiaria na sucessão, responder de forma ambígua: “Os dois”, referindo-se a Dorinha e Amélio. A declaração, longe de pacificar o ambiente, consolidou a percepção de disputa interna.

Chapa travada

Na prática, o grupo governista enfrenta um dilema clássico: múltiplas lideranças disputando espaços limitados, ou seja, “muito cacique para pouco índio”. Dorinha mantém a pretensão de encabeçar a chapa. Eduardo Gomes e Gaguim resistem a qualquer rearranjo no Senado. A vice-governadoria, única alternativa disponível para acomodação, não atrai Amélio, agora decidido a disputar protagonismo máximo.

O conflito ocorre dentro do mesmo campo político, o que torna qualquer decisão potencialmente desgastante. Diferentemente de um embate entre governo e oposição, trata-se de uma disputa intramuros, em que ganhos individuais podem significar perdas coletivas.

Risco de fratura

O cenário expõe uma contradição central: a base governista é ampla, mas não comporta todos os projetos pessoais em uma única chapa. A estratégia de acomodação começa a dar sinais de esgotamento diante da disputa por protagonismo real.

Ao assumir publicamente sua pré-candidatura, Amélio sinaliza que não aceitará soluções exclusivamente de bastidor. O grupo que projetava uma transição tranquila agora administra o risco de fratura interna justamente no momento em que mais precisava demonstrar coesão.

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