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Colinas do Tocantins

Após liminar, Câmara suspende processo de cassação de prefeito, mas já prepara recurso

Legislativo de Colinas afirma que estranhou não ter sido ouvido antes da liminar.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 631
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28/11/2025 15h41 - Atualizado há 2 meses
Legislativo sustenta que “todos os atos foram conduzidos com base na legalidade"

Notícias do Tocantins - A Câmara Municipal de Colinas do Tocantins divulgou, nesta quinta-feira (27), uma nota afirmando que irá cumprir integralmente a decisão que suspendeu o processo de impeachment do prefeito Josemar Carlos Casarim, o Kasarin (Republicanos), mas que recorrerá por entender que a medida “merece reavaliação”.

A manifestação veio um dia após o juiz José Roberto Ferreira Ribeiro, da 1ª Vara Cível, conceder liminar determinando a suspensão imediata e total do procedimento, incluindo qualquer votação do relatório final, sob pena de multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 100 mil.

O magistrado apontou indícios de falhas graves na condução do rito, como falta de publicidade, prazo insuficiente para defesa e documentos com chaves de verificação vinculadas a órgão público diverso. Para ele, os elementos apresentados indicam “possível ofensa a garantias constitucionais básicas” e exigem cautela.

“Permitir que o processo siga adiante pode gerar dano irreversível, não apenas ao prefeito, mas à estabilidade institucional do município”, escreveu o magistrado.

Câmara vê “estranheza” na decisão

Na nota, a Câmara afirma que foi notificada da liminar e que cumprirá “integralmente a ordem, em respeito ao Poder Judiciário”. Mesmo assim, disse ter sido surpreendida por não ter sido ouvida previamente.

“Causa estranheza o fato de que não fomos previamente ouvidos, especialmente porque todos os prazos legais e procedimentos foram rigorosamente cumpridos durante a tramitação do processo até este momento”, declarou.

O Legislativo sustenta que “todos os atos foram conduzidos com base na legalidade, transparência e respeito ao devido processo legal” e confirmou que ingressará com recurso “utilizando os meios legais cabíveis para apresentar esclarecimentos e defender seus atos”.

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Sobre o processo de impeachment

O processo, agora suspenso, havia sido aberto em 22 de outubro, por 10 votos a 3, após o recebimento de duas denúncias contra Kasarin. Ele é acusado de receber R$ 144,6 mil em dezembro de 2024 - referentes a férias, 13º salário retroativo e outras vantagens - e de autorizar a locação de um imóvel para o Conselho Tutelar que nunca teria sido utilizado, apesar de meses de pagamento.

Os denunciantes afirmam que o pagamento afronta o regime de subsídio único e que a alteração legal usada para justificá-lo só poderia valer para a legislatura 2025–2028.

Juiz aponta falhas graves

Ao suspender o processo, o juiz destacou questões que, segundo ele, comprometem a lisura do rito. Sobre a publicidade, apontou “ausência total de registros” entre 29 de outubro e 21 de novembro - período em que, inclusive, houve audiência sem divulgação oficial.

Em relação ao contraditório, citou que o prefeito foi notificado com prazo inferior às 24 horas exigidas, classificando o fato como “violação clara às garantias processuais”.

Para o magistrado, “não se pode permitir que um processo permeado por dúvidas siga adiante”, especialmente considerando que a interrupção de um mandato eletivo afeta a governabilidade e o vínculo legitimado pelo voto popular.

Defesa celebra resultado

A decisão foi comemorada pela defesa de Kasarin, que desde o início alegava irregularidades e fragilidade das denúncias. O prefeito afirmou que “a Justiça não falha” e reforçou confiança no trabalho da gestão.

Com a liminar, todos os atos do processo seguem suspensos até julgamento definitivo.

Nota da Câmara Municipal na íntegra:

“A Câmara Municipal de Colinas do Tocantins informa à população que tomou ciência da decisão judicial que determinou a suspensão do Processo Político-Administrativo nº 001/2025 e cumprirá integralmente a ordem, em respeito às determinações do Poder Judiciário.

A Câmara destaca, no entanto, que não foi previamente ouvida antes da concessão da decisão, o que causa estranheza, especialmente pelo fato de que todos os prazos legais e procedimentos foram rigorosamente cumpridos durante a tramitação do processo até este momento.

A Instituição reafirma que todos os seus atos foram conduzidos com base na legalidade, na transparência e no respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, conforme determina a Constituição.

Diante do entendimento de que a decisão merece reavaliação, a Câmara Municipal informa que irá recorrer, utilizando os meios legais cabíveis para apresentar seus esclarecimentos e defender seus atos. Por fim, a Câmara reafirma seu compromisso com a população de Colinas do Tocantins, com a responsabilidade institucional, com a legalidade e com o pleno funcionamento das instituições democráticas.

Colinas do Tocantins, 27 de novembro de 2025.
Câmara Municipal de Colinas do Tocantins”

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