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Pauta polêmica

Bancada do Tocantins vota em peso para derrubar vetos de Lula ao 'PL da Devastação'

Decisão restabelece pontos considerados críticos por entidades socioambientais.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 1.155
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28/11/2025 15h00 - Atualizado há 2 meses
Bancada tocantinense é majoritariamente ligada ao agronegócio

Notícias do Tocantins - Em uma votação acelerada, com plenário esvaziado e conduzida na madrugada desta quinta-feira (27), o Congresso Nacional derrubou 52 dos 59 vetos presidenciais ao projeto que flexibiliza amplamente o licenciamento ambiental no país - apelidado por ambientalistas de 'PL da Devastação'. No Tocantins, a posição foi unânime: todos os parlamentares da Câmara e do Senado votaram para derrubar os vetos.

A decisão restabelece dispositivos considerados críticos por entidades socioambientais, como o autolicenciamento, a dispensa de estudos técnicos para obras de médio porte e o enfraquecimento de órgãos como Ibama, Conama e Funai.

Bancada do Tocantins alinhada ao agronegócio

A bancada tocantinense - majoritariamente ligada ao agronegócio - votou integralmente contra as posições do Executivo. Nenhum deputado ou senador do estado defendeu a manutenção das salvaguardas ambientais propostas por Lula.

Na Câmara, votaram pela derrubada dos vetos: Alexandre Guimarães (MDB), Toinho (Republicanos), Gaguim (UB), Eli Borges (PL), Filipe Martins (PL), Ricardo Ayres (Republicanos), Tiago Dimas (Podemos) e Vicentinho Júnior (Progressistas).

No Senado, o placar também foi unânime: Irajá (PSD), Eduardo Gomes (PL) e Dorinha (UB).

A madrugada que garantiu o autolicenciamento

Com a derrubada dos vetos, o Congresso retomou dispositivos que eliminam exigências básicas do licenciamento ambiental. Entre eles, a Licença por Adesão e Compromisso (LAC) - uma forma de autolicenciamento que libera obras de médio porte por mera autodeclaração, sem estudo prévio de impacto.

Outro ponto restabelecido transfere a estados e ao Distrito Federal a definição de parâmetros ambientais, retirando atribuições federais e fragmentando diretrizes nacionais. Também voltou ao texto a flexibilização para desmatamento da Mata Atlântica, bioma que hoje preserva apenas 24% da vegetação original.

Ambientalistas falam em “maior retrocesso ambiental da história”

Entidades reagiram imediatamente. O Observatório do Clima afirmou que o Congresso “promoveu o maior retrocesso ambiental da história do país”, lembrando que a votação ocorreu poucos dias após a COP30, em Belém.

O IPAM alertou que o projeto “coloca em risco a vida de milhões de pessoas”. O diretor-executivo, André Guimarães, criticou a pressa e disse que eficiência não pode significar riscos ambientais ainda maiores.

A Conservação Internacional (CI-Brasil) reforçou que as mudanças ameaçam a segurança alimentar, hídrica e climática, além de afetar povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Setor ruralista venceu - mas o debate continua

Parlamentares ambientalistas criticaram Davi Alcolumbre (União-AP) por pautar o tema logo após a COP30. Nilto Tatto (PT-SP) disse que houve “uma escolha política de setores privados que querem flexibilizar regras ambientais”.

Já os defensores da derrubada afirmaram que o texto trará agilidade e “desburocratização”. Zé Vitor (PL-MG) chamou o Ibama de “entrave”. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, reforçou a agenda ruralista ao afirmar que “o agro é o que ainda está dando certo neste país”.

LAE fica para depois

Mesmo com a derrota ampla do governo, sete vetos ligados à Licença Ambiental Especial (LAE) foram adiados. O Executivo enviou a MP 1.308/2025 para redesenhar o instrumento, sem eliminar suas etapas tradicionais.

Pressão judicial no horizonte

O governo federal já admite recorrer ao STF. Marina Silva classificou a derrubada dos vetos como um ataque direto ao artigo 225 da Constituição e uma “demolição” das normas ambientais das últimas décadas. Para ela, o Congresso desmontou pilares que evitaram tragédias e expôs o país a riscos ainda maiores em plena crise climática.

A ministra criticou duramente o retorno da autodeclaração no licenciamento, comparando seu uso a cenários como os de Mariana e Brumadinho. Sem normas nacionais unificadas, diz, o país caminha para o descontrole ambiental. Ela também rebateu o discurso de “modernização”, afirmando que serve apenas para mascarar retrocessos.

Além do governo, entidades como Arayara e organizações da REPAM-Brasil preparam ações no STF. A Arayara classificou a lei como “negociação de vidas” e afirmou: “O Congresso abriu a porteira e deixou a boiada passar.”

Como votou o Tocantins

Câmara - todos contra os vetos:
Alexandre Guimarães (MDB), Toinho (Republicanos), Gaguim (UB), Eli Borges (PL), Filipe Martins (PL), Ricardo Ayres (Republicanos), Tiago Dimas (Podemos), Vicentinho Júnior (Progressistas).

Senado - todos contra os vetos:
Irajá (PSD), Eduardo Gomes (PL), Dorinha (UB).

A favor dos vetos:
Nenhum parlamentar do Tocantins.

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