Ex-governador diz ter condições para disputa, mas passado pesa contra projeto político.
Notícias do Tocantins - O ex-governador Mauro Carlesse (Agir) anunciou sua intenção de disputar pela terceira vez o Governo do Tocantins nas eleições de 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele declarou estar “preparado” para o desafio e afirmou que iniciará uma série de viagens pelo estado para ouvir a população. Segundo Carlesse, o apoio de vereadores e lideranças políticas tem motivado sua disposição de concorrer.
“Se eu tiver oportunidade… serei candidato ao governo”, disse, acrescentando que a decisão será amadurecida com apoio de parlamentares e partidos. “Graças a Deus nós fizemos um trabalho maravilhoso dentro do estado e tenho reconhecimento da população”, completou.
A pré-candidatura, no entanto, esbarra em um histórico judicial significativo. Durante seu segundo mandato, iniciado em 2018, Carlesse foi afastado do cargo por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acusado de comandar um esquema de corrupção no plano de saúde dos servidores públicos e de aparelhamento da Polícia Civil. Para evitar um processo de impeachment, ele renunciou em março de 2022.
No fim de 2024, voltou ao centro de uma nova crise: foi preso preventivamente, suspeito de planejar fuga internacional utilizando passaporte italiano, identidade uruguaia e uma casa alugada na Itália por meio de intermediários. A prisão durou 65 dias e foi revogada por decisão liminar do ministro Antônio Saldanha Palheiro, do STJ, que impôs medidas cautelares.
Apesar dos escândalos, Carlesse mantém discurso de perseguição. Ao desistir da candidatura ao Senado em 2022, declarou: “Todo mundo sabe o tamanho da perseguição que venho sofrendo desde que entrei no governo (...) até hoje não consigo me defender porque não sei o motivo. Isso tudo é perseguição.” Na época, chegou a levantar suspeitas de sabotagem em seu avião particular.
Além das operações Éris e Hygea - que apuram corrupção e propinas durante sua gestão - Carlesse também foi indiciado na Operação Via Avaritia, da Polícia Civil. As investigações apontam o desvio de mais de R$ 10 milhões por meio de contratos fraudulentos para manutenção de prédios públicos. Segundo a polícia, ele atuava como chefe de uma organização criminosa com atuação interestadual e uso de empresas de fachada para lavar dinheiro.
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Mesmo diante de um extenso prontuário - que inclui acusações de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato, fraude em licitações, falsidade ideológica e obstrução de investigações - Carlesse afirma estar apto a retornar à cena eleitoral. “Tenho condições de disputar, estou preparado. Tem muita coisa a fazer, e tenho certeza de que posso ajudar muito”, declarou.
Com isso, ele se junta a outros quatro pré-candidatos ao comando o Palácio Araguaia: a senadora Professora Dorinha (União Brasil), o presidente da Assembleia Legislativa Amélio Cayres (Republicanos), o vice-governador Laurez Moreira (PDT) e o ex-senador Ataídes Oliveira (sem partido declarado).
Resta saber como o eleitorado tocantinense irá reagir ao retorno e se o peso das denúncias será suficiente para enterrar de vez o projeto político de Carlesse.
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