Procedimento cita relatos sobre diagnósticos acelerados e possíveis problemas sanitários.
Notícias de Gurupi - Denúncias envolvendo o atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) levaram o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a ampliar uma investigação sobre uma clínica privada de Gurupi, no sul do Estado.
Entre as situações relatadas estão atendimentos terapêuticos realizados coletivamente, mas que teriam sido faturados individualmente, emissão de diagnósticos já nas primeiras sessões e cobrança de R$ 1,5 mil por laudos, além de famílias que teriam pago pelos documentos e ainda aguardariam a entrega.
As informações constam do Procedimento Preparatório nº 4687/2026, instaurado pela 6ª Promotoria de Justiça de Gurupi. A portaria foi assinada em 6 de agosto de 2026 pelo promotor de Justiça Marcelo Lima Nunes.
Segundo o documento, as denúncias também citam possíveis condições inadequadas de estrutura, higiene e funcionamento da clínica, além de suposta ausência frequente de profissionais técnicos e médicos responsáveis pelos tratamentos.
Outro ponto que chamou a atenção do Ministério Público foi a existência de outras três Notícias de Fato com objeto semelhante, posteriormente reunidas ao procedimento principal.
O MPTO registra ainda que o responsável legal pela clínica havia sido notificado em 19 de maio, mas o prazo para apresentação de justificativas e documentos terminou em 24 de maio sem resposta, conforme certidão juntada aos autos em junho.
Com a abertura do procedimento preparatório, o Ministério Público determinou nova notificação para apresentação de alvarás, registros profissionais, escalas de trabalho, metodologia utilizada nos atendimentos, critérios de cobrança e faturamento, protocolo empregado para diagnóstico de TEA, contratos e comprovantes emitidos aos usuários.
A Vigilância Sanitária de Gurupi também deverá realizar inspeção presencial em até 15 dias, enquanto os conselhos profissionais foram acionados para fazer vistorias e apresentar relatórios no prazo de 30 dias.
O procedimento está em fase de apuração. As situações descritas constam de denúncias recebidas pelo MPTO e não representam conclusão de que a clínica ou seus responsáveis tenham cometido irregularidades.