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Arnaldo Filho

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Corrida ao Palácio Araguaia

Convenção oficializa Laurez, Coronel Silva Neto e Paulo Mourão, mas deixa dúvida sobre Irajá

Ausência do senador expôs a crise interna que ainda ameaça o projeto do PSD.

Por Arnaldo Filho
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05/08/2026 09h38 - Atualizado há 1 semana
Ministro Wellington Dias reforçou a aliança do projeto de Laurez com o presidente Lula.

Notícias do Tocantins - A convenção que oficializou Laurez Moreira (PSD) como candidato ao Governo do Tocantins confirmou os principais nomes da chapa, mas terminou sem resolver uma das questões que mais têm desgastado o grupo: o futuro político do senador Irajá.

Realizado nesta terça-feira (04/08), no auditório da Associação Tocantinense de Municípios (ATM), em Palmas, o evento confirmou o coronel Silva Neto como candidato a vice-governador e o ex-deputado Paulo Mourão, do PT, como candidato ao Senado. A aliança reúne PSD, PSB, PDT e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

A convenção recebeu caravanas de diferentes regiões do Estado, militantes de movimentos sociais, prefeitos, vereadores e lideranças dos partidos aliados. Os deputados estaduais Eduardo Mantoan, Gutierres Torquato e Luciano Oliveira, todos do PSD, também participaram da mobilização.

Apesar da festa preparada para apresentar a chapa, a ausência de Irajá acabou dividindo as atenções e mantendo aberta uma crise que já ultrapassou os bastidores do partido.

Somente um ministro compareceu

A organização havia anunciado a presença de dois ministros do governo Lula: George Santoro, dos Transportes, e Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. No entanto, somente Wellington Dias participou da convenção.

No palco, Wellington transmitiu o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto estadual e defendeu a eleição de Laurez para o Governo e de Paulo Mourão para o Senado. “O caminho é Laurez governador, Paulo Mourão senador e Lula junto com esse time”, declarou o ministro.

A presença de Wellington reforçou o espaço conquistado pelo PT na composição. Além de ocupar uma das vagas ao Senado, o partido passou a representar a principal ligação da candidatura de Laurez com o governo federal.

Laurez endurece discurso

Em um dos momentos mais fortes da convenção, Laurez adotou um discurso de confronto e prometeu retirar o Tocantins das páginas policiais. Mesmo ocupando o cargo de vice-governador, ele buscou se apresentar como uma alternativa ao atual comando do Estado.

Laurez afirmou que, em seu governo, o Tocantins terá quatro anos “sem Polícia Federal na porta do Palácio”. Também disse que pretende colocar o Estado nas páginas da economia, do desenvolvimento e da prosperidade.

O candidato ainda prometeu investimentos em saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, industrialização, turismo, agricultura e habitação popular, além de uma parceria direta com o governo federal.

Durante o evento, Laurez levou ao palco representantes das quebradeiras de coco, dos povos indígenas, da juventude negra e da cultura junina, numa tentativa de apresentar uma candidatura ligada a diferentes setores sociais do Tocantins.

Silva Neto aposta na experiência militar

Confirmado como candidato a vice-governador, o coronel Silva Neto afirmou que pretende levar para a administração pública a experiência acumulada durante quase 30 anos na Polícia Militar.

Não estou entrando na política por cargos, por vaidade ou por interesse pessoal. Estou entrando porque sei que posso servir ao Tocantins”, afirmou.

A indicação do militar fortalece o discurso de Laurez nas áreas de segurança pública, gestão e combate à corrupção.

Paulo Mourão ocupa espaço deixado no palanque

Paulo Mourão foi homologado candidato ao Senado e ganhou posição de destaque na convenção. Em seu discurso, defendeu programas sociais, geração de empregos, agricultura familiar e alinhamento político com Lula.

O petista também fez críticas à corrupção, condenou a compra de votos e abordou os casos de violência contra as mulheres. “Quem agride mulher não precisa votar no Paulo Mourão”, declarou.

Mourão apresentou a parceria com Laurez como uma aliança construída antes do processo eleitoral e afirmou que o Tocantins precisa recuperar a confiança da população na política.

Irajá fica fora e amplia crise

O senador Irajá não compareceu à convenção. Antes do evento, ele encaminhou um documento a Laurez informando que não autorizava a indicação de seu nome para qualquer cargo nem o uso de sua imagem nos materiais da convenção.

Na carta, Irajá criticou o que classificou como falta de diálogo na condução do PSD estadual, questionou a formação das chapas majoritária e proporcional e cobrou uma intervenção da direção nacional do partido.

O senador também contestou a resistência ao nome da pastora Ivanete Lima, lançada por ele como pré-candidata ao Senado. Segundo Irajá, houve preconceito e um veto público à pré-candidatura sem diálogo interno.

A entrada de Ivanete na disputa entrou em choque com o acordo firmado por Laurez com o PT, que reservou uma das vagas ao Senado para Paulo Mourão. Além disso, o Tocantins elegerá apenas dois senadores, o que tornou inviável a acomodação dos três nomes na mesma chapa.

Irajá declarou ainda que poderá participar das eleições caso sejam corrigidos, segundo ele, os rumos do PSD no Tocantins. A direção estadual, por sua vez, interpretou o documento como uma desistência da construção da candidatura à reeleição.

Laurez mantém vaga reservada

Mesmo diante das críticas e da ausência de Irajá, Laurez evitou anunciar um rompimento definitivo. Na chegada à convenção, afirmou que continuará respeitando o compromisso firmado anteriormente com o senador.

A vaga é dele. Sou homem de compromisso. Fiz o compromisso de que uma vaga era do Paulo Mourão e a outra dele”, declarou Laurez, acrescentando que a decisão agora cabe a Irajá.

Na prática, Paulo Mourão foi homologado e ocupou o palanque, enquanto Irajá permaneceu fora da convenção e sem uma definição pública sobre a reeleição.

O calendário eleitoral aumenta a pressão sobre os envolvidos. Esta quarta-feira (5) é o último dia permitido para a realização de convenções partidárias. Os pedidos de registro das candidaturas deverão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.

A convenção cumpriu o objetivo de oficializar Laurez, Silva Neto e Paulo Mourão, além de demonstrar a ligação da chapa com o presidente Lula. Mas também revelou que o principal problema político do grupo continua sem solução.

Laurez saiu do evento com a candidatura homologada. Paulo Mourão saiu fortalecido. Silva Neto foi apresentado oficialmente ao eleitorado. Irajá, porém, permaneceu como a grande interrogação.

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