Suplentes são o ex-vereador de Gurupi Soró e empresária Antônia Lopes.
Notícias do Tocantins - O ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas (Podemos) anunciou os nomes que formarão sua chapa na disputa pelo Senado e elevou o tom das críticas ao cenário político nacional. Em entrevista, ele confirmou o ex-vereador de Gurupi Sérgio Vieira Marques, o Soró, como primeiro suplente, e a empresária Antônia Lopes como segunda suplente.
Antônia já presidiu a Associação Comercial e Industrial de Araguaína (Aciara) e também a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Tocantins.
Com a composição, Dimas busca ampliar a presença regional da candidatura. Enquanto ele possui sua principal base política em Araguaína e no norte do Estado, Soró tem atuação em Gurupi, na região sul. Antônia Lopes, por sua vez, tem trajetória ligada ao setor empresarial e ao movimento associativista.
Dimas afirmou ainda que não definiu com quem fará dobradinha eleitoral em Araguaína. Segundo ele, a tendência é que a parceria seja construída com um dos candidatos do próprio grupo, mas as conversas ainda estão em andamento.
O ex-prefeito negou qualquer acordo fechado com o senador Eduardo Gomes, embora tenha reconhecido que ele é uma das possibilidades. Dimas citou diferentes alianças municipais dentro da própria base, lembrando que, em Palmas, o prefeito Eduardo Siqueira Campos apoia sua candidatura e também a de Eduardo Gomes. Em Araguaína, o senador conta com o apoio do prefeito Wagner Rodrigues, aliado político de Dimas.
“Há muitas possibilidades ainda, mas em breve isso vai acontecer”, afirmou.
Críticas ao Senado e ao STF
Ao apresentar as principais pautas que pretende levar à campanha, Ronaldo Dimas concentrou o discurso na relação entre os Poderes e fez duras críticas à atuação do Senado Federal.
Para o ex-prefeito, a Casa não tem cumprido adequadamente sua responsabilidade diante dos conflitos institucionais do país. Ele criticou o controle exercido pelo Congresso sobre parte do orçamento federal, a interferência do Judiciário em decisões dos demais Poderes e a falta de uma direção clara por parte do Executivo.
“Hoje, me desculpe, mas é vergonhosa a atuação do Senado Federal diante dessa desorganização em que está o país”, afirmou.
Dimas acusou senadores de não reagirem ao que considera excessos praticados por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, cabe ao Senado adotar as medidas constitucionais necessárias para preservar o equilíbrio entre os Poderes.
O candidato também afirmou que o Brasil não possui atualmente um projeto nacional de desenvolvimento claramente definido e classificou o Governo Federal como “perdido” na condução das principais questões do país.
Reforma tributária, juros e setor produtivo
Além das críticas institucionais, Dimas indicou que pretende concentrar sua atuação em temas econômicos, especialmente aqueles que afetam empresários, produtores rurais e trabalhadores.
Entre as prioridades citadas estão os impactos da reforma tributária, a crise enfrentada pelo agronegócio, o elevado custo do crédito e as altas taxas de juros no Brasil.
Para ele, a reforma tributária precisa contribuir para o desenvolvimento econômico e não servir apenas para ampliar a arrecadação do Governo Federal.
“A reforma tributária está feita para ajudar o Brasil a se desenvolver, não para o governo ter mais dinheiro para gastar e, às vezes, gastar muito mal”, declarou.
Dimas afirmou que ainda há insegurança entre empresários e produtores sobre os efeitos práticos das novas regras tributárias. Na avaliação dele, o Congresso deverá acompanhar a implantação do novo sistema para evitar o aumento excessivo da carga sobre o setor produtivo.
Distanciamento de Wanderlei
Ao ser questionado sobre as manifestações de apoio do governador Wanderlei Barbosa a outros candidatos ao Senado, Dimas procurou minimizar o impacto político dessas escolhas. “O governador Wanderlei é eleitor. Ele não participa dessa eleição como candidato”, respondeu.
Dimas lembrou que já disputou uma eleição contra Wanderlei, afirmou respeitar o resultado das urnas e disse que sua candidatura será conduzida diretamente em busca do apoio da população. “Agora é eleição. Eu sou candidato e quero o voto do povo”, declarou.
Representação de Araguaína e do norte
O ex-prefeito também procurou reforçar o discurso de que Araguaína e a região norte do Tocantins precisam recuperar espaço político no Senado.
Segundo Dimas, a região enfrenta um vazio de representação desde a morte do ex-senador João Ribeiro, em 2013. Ele afirmou que pretende usar sua trajetória como prefeito de Araguaína para mobilizar o eleitorado regional, mas disse que sua candidatura não ficará limitada ao município.
“A região norte está carente de representação no Senado Federal desde que João Ribeiro se foi”, afirmou.
Dimas declarou que pretende representar Araguaína, o Bico do Papagaio, o Jalapão, Gurupi e todas as demais regiões do Tocantins. Para ele, a escolha de Soró, com atuação política na região sul, e de Antônia Lopes, ligada ao setor empresarial de Araguaína, ajuda a ampliar a presença regional da chapa.
“É claro que Araguaína tem esse sentimento e me conhece muito bem, porque fui prefeito da cidade e sabe o carinho e o amor que sinto por aquela terra”, concluiu.