Dois levantamentos foram divulgados com poucas horas de diferença.
Notícias do Tocantins - Duas pesquisas realizadas praticamente no mesmo período apresentam retratos muito diferentes da disputa pelo Governo do Tocantins. Enquanto a Quaest/TV Anhanguera coloca a senadora Professora Dorinha (União Brasil) nove pontos à frente de Vicentinho Júnior (PSDB), o instituto Real Time Big Data reduz essa diferença para três pontos e aponta empate técnico entre os dois.
A divergência fica ainda mais evidente nas simulações de segundo turno. Na Quaest, Dorinha vence Vicentinho por 46% a 38%. Já no Real Time, Vicentinho aparece numericamente à frente, com 41%, contra 40% da adversária.
Os levantamentos foram divulgados com poucas horas de diferença. A Quaest saiu na noite de terça-feira (25/08), enquanto a pesquisa Real Time foi publicada pelo R7 na manhã desta quarta-feira (26).
Nove pontos em uma pesquisa, três na outra
No cenário estimulado da Quaest, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Dorinha alcança 37% e Vicentinho aparece com 28%. A diferença de nove pontos deixa a candidata fora do alcance do adversário mesmo considerando a margem de erro de três pontos percentuais.
Laurez Moreira (PSD) aparece com 7%, seguido por Ataídes Oliveira (Novo), com 3%, e Subtenente Luiz Carlos (Democrata), com 2%. Witer Naves (PSOL) e Du Pereira (DC) foram apresentados com 0%. Os indecisos representam 16%, enquanto brancos, nulos e eleitores que não pretendem votar somam 7%. .
O Real Time Big Data mostra uma disputa bem mais apertada. Dorinha tem 33% e Vicentinho, 30%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois aparecem tecnicamente empatados.
Nesse levantamento, Laurez sobe para 11%, Ataídes alcança 7% e Witer aparece com 4%. Outros candidatos somam 1%, enquanto brancos e nulos representam 8% e os indecisos caem para 6%.
Divergências vão além dos dois primeiros
As diferenças não se limitam à distância entre Dorinha e Vicentinho. Elas se repetem em praticamente todo o cenário eleitoral.
Dorinha registra quatro pontos a mais na Quaest do que no Real Time. Vicentinho, por outro lado, tem dois pontos a mais no Real Time. Laurez, Ataídes e Witer também aparecem quatro pontos acima no levantamento do Real Time.
A maior divergência está entre os eleitores que ainda não escolheram candidato. A Quaest registra 16% de indecisos, dez pontos a mais que os 6% encontrados pelo Real Time. Isso significa que o Real Time distribuiu uma parcela maior do eleitorado entre os candidatos, especialmente entre os nomes que aparecem abaixo dos dois líderes.
Há também uma diferença na apresentação pública dos resultados. A Quaest mostra nominalmente os sete candidatos ao Governo. Na divulgação do Real Time, cinco nomes aparecem individualmente e as demais candidaturas são reunidas na categoria “outros”.
Segundo turno traz resultado invertido
O contraste mais forte aparece na simulação de segundo turno entre Dorinha e Vicentinho.
Na Quaest, Dorinha lidera com 46%, contra 38% de Vicentinho, uma vantagem de oito pontos. Brancos e nulos somam 7%, enquanto 9% estão indecisos.
No Real Time, o resultado é praticamente invertido. Vicentinho aparece com 41% e Dorinha com 40%. A diferença de um ponto configura empate técnico. Brancos e nulos são 9%, e outros 10% não souberam ou não responderam.
Assim, o saldo do confronto entre os dois candidatos varia nove pontos de uma pesquisa para outra. Dorinha passa de uma vantagem de oito pontos na Quaest para uma desvantagem numérica de um ponto no Real Time.
Espontânea também acende alerta
A própria Quaest apresenta um dado que recomenda cautela na interpretação da vantagem registrada no cenário estimulado.
Na pesquisa espontânea, quando o entrevistador não apresenta os nomes dos candidatos, Vicentinho aparece numericamente à frente, com 15%, contra 13% de Dorinha. Laurez tem 2%, enquanto 68% dos eleitores ainda não sabem em quem votar.
Isso significa que Dorinha lidera quando a lista de candidatos é mostrada, mas Vicentinho aparece dois pontos à frente quando o eleitor precisa lembrar espontaneamente de um nome. Como a margem de erro é de três pontos, os dois também estão tecnicamente empatados nessa modalidade.
A divulgação do Real Time consultada pela reportagem não apresenta os números da pesquisa espontânea, o que impede a comparação desse indicador entre os dois institutos.
Amostras e margens diferentes
Os dois levantamentos foram presenciais e possuem nível de confiança de 95%, mas trabalharam com tamanhos de amostra diferentes.
A Quaest entrevistou 804 eleitores entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pela TV Anhanguera por R$ 117.384 e está registrada na Justiça Eleitoral sob o número TO-02161/2026.
O Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores, praticamente o dobro da amostra, entre os dias 21 e 25 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento foi custeado pelo próprio instituto e registrado sob o número TO-09655/2026.
Uma amostra maior reduz a margem de erro, mas não torna automaticamente uma pesquisa mais correta que a outra. A distribuição geográfica dos entrevistados, as cotas de idade, renda, escolaridade e sexo, os critérios de ponderação, a ordem das perguntas e a apresentação dos nomes também podem influenciar os resultados.
Sem a comparação detalhada de todos esses elementos e dos recortes regionais, não é possível apontar uma causa única para tamanha diferença.
O que as pesquisas realmente mostram
As duas pesquisas concordam apenas em um ponto central: Dorinha aparece numericamente à frente no primeiro turno. Fora disso, os retratos são bastante diferentes.
A Quaest apresenta uma liderança mais consolidada de Dorinha e vitória no segundo turno. O Real Time mostra uma disputa aberta, empate técnico no primeiro turno e Vicentinho numericamente à frente no confronto direto.
Por isso, nenhum dos levantamentos, isoladamente, permite decretar tendência definitiva. As pesquisas são fotografias produzidas a partir de amostras, e não previsões do resultado das urnas. Neste caso, as duas fotografias foram tiradas praticamente ao mesmo tempo, mas revelaram cenários políticos muito diferentes.
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