Prefeito promete desfazer atos do interino e outras mudanças
Notícias de Palmas - “Volto com mãos limpas e consciência tranquila”, disse o prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), ao reassumir oficialmente o comando da Prefeitura de Palmas na noite desta quinta-feira (17), logo após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que revogou sua prisão domiciliar e autorizou o retorno ao cargo.
Em um dia marcado por forte carga simbólica, o gestor recolocou a faixa de prefeito, reuniu aliados e fez um discurso com tom firme, emocionado e recheado de recados políticos.
Durante coletiva de imprensa, Eduardo confirmou que haverá reestruturação no secretariado. Segundo ele, serão reconduzidos os gestores exonerados durante a gestão interina do vice-prefeito Carlos Velozo (Agir), mas também haverá cortes entre antigos aliados.
“Serão exonerados os secretários que substituíram aqueles demitidos e também outros que passam a não mais integrar a minha administração. Mas ninguém vai saber pelo Diário Oficial. Farei ligações a cada um”, afirmou Eduardo, em crítica direta ao modo como Velozo conduziu as exonerações.
O prefeito informou que a prefeitura publicará uma edição complementar do Diário Oficial às 10 horas desta sexta-feira (18/7) com as mudanças no secretariado. Inicialmente, havia a expectativa de uma edição extraordinária ainda na noite de quinta (17), o que não se concretizou. Eduardo justificou o adiamento com o compromisso de comunicar pessoalmente cada exoneração.
“Ninguém que ainda ocupa cargo nesta Prefeitura vai sair sem um telefonema meu. Todos serão comunicados. Quem chega a ocupar uma secretaria municipal da capital do Tocantins não pode ser surpreendido pelo Diário Oficial sem que o chefe do Executivo tenha lhe dado uma palavra. Para convidar eu ligo, e também ligarei para todos que serão desligados”, destacou.
LEALDADE À PROVA E AGRADECIMENTO A SERVIDORES
O prefeito revelou que, mesmo com a disposição de aliados em deixar os cargos após sua prisão, pediu pessoalmente que todos permanecessem firmes até a resolução da situação.
“Vocês foram guindados a esses cargos com a missão de servir o povo de Palmas. Mesmo constrangidos, permaneceram. Isso é grandeza”, disse, emocionado.
Segundo Eduardo, a intenção de debandada foi coletiva, mas ele interveio: “Disse a todos: ‘Não, porque o que está em jogo é a cidade. Deixem que os verdadeiros interesses sejam revelados com o tempo’”.
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CONFIANÇA NA JUSTIÇA E RECADO À OPINIÃO PÚBLICA
Eduardo também reafirmou sua inocência nas investigações da Operação Sisamnes, que apura supostos vazamentos de informações sigilosas do STJ. Segundo ele, nada mancha sua trajetória pública.
“Volto com as mãos limpas, a consciência livre e o coração renovado. Não me senti envergonhado em nenhum momento. Esta cadeira me foi entregue por Deus e pelo povo de Palmas.”
Apesar das críticas veladas à imprensa e a adversários, o prefeito garantiu que não age com revanchismo: “Volto para governar, não para me vingar”, afirmou.
ENTENDA O CASO
O retorno de Eduardo Siqueira ao cargo ocorreu após decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que determinou, nesta quinta-feira (17), a revogação da prisão domiciliar imposta ao gestor.
Ele estava afastado desde maio, após ser alvo da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal, a partir de inquérito que apura o suposto vazamento de decisões sigilosas do STJ. Eduardo foi apontado como um dos beneficiários do esquema e teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Francisco Falcão, do STJ. Após sofrer um infarto e passar por cirurgia cardíaca, obteve progressão para prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Na nova decisão, Zanin reconheceu que não havia mais fundamentos para a manutenção da custódia e determinou a expedição de alvará de soltura. Como contrapartida, Eduardo deverá cumprir medidas cautelares, como proibição de deixar o país, proibição de manter contato com outros investigados e entrega do passaporte à Justiça.
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