Declarações em encontro com vereadores dominaram a repercussão política no estado.
Notícias do Tocantins - O lançamento da pré-candidatura da senadora Dorinha Seabra (União Brasil) ao Governo do Tocantins, realizado nesta sexta-feira (27), em Palmas, evidenciou a força política e capilaridade eleitoral do grupo governista. Com a presença de mais de 100 prefeitos, o ato consolidou uma base robusta e posicionou a parlamentar como uma das principais protagonistas da disputa de 2026.
No entanto, apesar do cenário favorável, a repercussão do evento acabou dividindo espaço - e, em certa medida, sendo ofuscada - pelas declarações duras do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), feitas durante um encontro de vereadores realizado na quarta-feira (25), também na capital, e que ganharam ampla repercussão nos dias seguintes.
Em outro evento, o governador reconheceu a direza do próprio discurso: "Quando fizerem as arapucas pensando que vao nos ferir, não vão. Ontem eu dei uma derrapada, mas eu digo para vocês: a derrapada era necessária. Tem que respeitar o nosso lado. Eu não armo [arapuca] para ninguém. Eu duvido que tenha alguma pessoa nesse estado que diga: 'o governador mandou plantar isso contra mim'.
Falas mudam o foco
Embora seja o principal fiador político da pré-candidatura de Dorinha, o governador acabou dominando o noticiário ao adotar um tom mais incisivo, elevando o nível de enfrentamento após declarações do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres (Republicanos).
Na ocasião, ao reagir à sinalização de Amélio de que poderia arquivar pedidos de impeachment, o governador fez um desafio direto: “Se quiser pautar para votar, pode votar o impeachment, porque eu sei o que fiz.”
Em seguida, reforçou: “Pode fazer a CPI, porque, no dia em que a polícia entrou na minha casa, entrou na casa de vocês também.”
As declarações, incomuns pela contundência, expõem o nível de tensão política nos bastidores do poder estadual e têm como pano de fundo a Operação Fames-19, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de desvio de mais de R$ 70 milhões em recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021.
Esse ambiente de tensão já havia transformado o evento institucional em um espaço de embate político, com manifestações de apoio a diferentes pré-candidatos e sinais claros de divisão entre grupos.