Ele ficou à frente da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços por 4 anos e 18 dias.
Notícias do Tocantins - O ex-secretário de Indústria, Comércio e Serviços do Tocantins, Carlos Humberto Lima, mais conhecido como Beto Lima, afirmou publicamente que não pediu exoneração do cargo, contrariando o que foi divulgado pelo Governo do Estado no Diário Oficial nº 6.940, desta quinta-feira (13/11). Segundo ele, sua saída foi determinada pelo governador em exercício Laurez Moreira (PSD), e não uma iniciativa própria.
A versão oficial publicada pelo governo classificou a exoneração como “a pedido”, mas Beto Lima rechaçou essa informação. Em nota, destacou que foi exonerado por decisão administrativa, sem ter solicitado desligamento.
Em nota divulgada à imprensa, o ex-secretário agradeceu o apoio e a confiança dos governadores Wanderlei Barbosa (Republicanos), hoje afastado, e Laurez Moreira, além do secretariado, equipe técnica e representantes do setor produtivo.
Quatro anos e mais de R$ 10 bilhões em investimentos captados
À frente da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços por 4 anos e 18 dias, Beto Lima destacou um legado de projetos estratégicos para o desenvolvimento econômico do Tocantins. Entre as iniciativas implantadas durante sua gestão estão:
PICS — Programa de Impulsionamento da Indústria, do Comércio e Serviços
Projeto Tocantins Mais Produtivo, em parceria com a FIETO
Programa Tocantins pelo Mundo
Plano de desenvolvimento econômico “Tocantins 2045”, elaborado com a UFT e a Unitins
Reformas voltadas à melhoria do ambiente de negócios
Sob sua liderança no Conselho de Desenvolvimento Econômico, o Estado afirma ter captado mais de R$ 10 bilhões em investimentos privados, além de atingir a menor taxa de desemprego da série histórica, reflexo, segundo ele, da competitividade ampliada no mercado nacional e internacional.
Encerrada sua passagem pelo governo, Beto Lima informou que retornará às atividades na iniciativa privada, reforçando que continuará contribuindo com o desenvolvimento socioeconômico do Estado.
ENTENDA O CASO
A saída de Beto Lima ocorre logo após a Operação Nêmesis, que apura tentativa de obstrução das apurações da Operação Fames-19. Nos documentos encaminhados pela Polícia Federal ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o nome do ex-secretário aparece citado ao lado de outros aliados próximos ao governador afastado Wanderlei Barbosa.
Além de Beto Lima, também foi exonerado — igualmente “a pedido”, segundo o Diário Oficial — Odilon Coelho Lima Júnior, secretário de Parcerias e Investimentos.
Segundo a Polícia Federal, Odilon Júnior é primo de Wanderlei Barbosa e teria atuado como assessor direto no governo. Após o afastamento de Wanderlei e a posse de Laurez, Odilon foi nomeado para comandar a Secretaria de Participações e Investimentos (SPI), antes chefiada por Thomas Jefferson, apontado como um dos articuladores do grupo investigado.
Nos autos, a PF descreve Beto Lima como amigo pessoal de Thomas Jefferson, mas ele nega qualquer relação pessoal.
Outras exonerações
Além de Beto Lima e Odilon Júnior, outros nomes apontados como próximos ao grupo político de Wanderlei já haviam sido desligados nesta semana: Alan Rickson Andrade de Araújo e Antoniel Pereira do Nascimento.