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Arnaldo Filho

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Julgamento

Ex-vereador e sargento da PM vai a júri após reagir a assalto e matar suspeito em Araguaína

Caso opõe versões sobre execução e legítima defesa durante o assalto.

Por Arnaldo Filho 1.416
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17/04/2026 16h29 - Atualizado há 3 semanas
Ex-vereador e suplente de deputado estadual Jorge Carneiro

Notícias de Araguaína - O ex-vereador de Araguaína e sargento da Polícia Militar Jorge Ferreira Carneiro será submetido a júri popular no dia 7 de maio de 2026, após reagir a um assalto e matar o autor do crime. O caso coloca em confronto duas versões: de um lado, a acusação de execução; de outro, a defesa que sustenta que o militar estava diante de uma situação extrema de violência.

A denúncia

De acordo com o Ministério Público do Tocantins, o caso ocorreu na noite de 27 de fevereiro de 2017, na Rua Machado de Assis, no bairro São João, em Araguaína.

Na ocasião, Jorge Carneiro dirigia seu veículo em baixa velocidade quando foi surpreendido pela abordagem de Adão Gomes Lima, que estava em uma motocicleta.

Segundo a acusação, o homem desceu da moto armado com um revólver, se aproximou do carro e anunciou o assalto. Durante a ação, ele teria subtraído um aparelho celular, uma pulseira e um anel de ouro do militar.

Após a consumação do roubo, ainda conforme o MP, o suspeito retornou à motocicleta e se preparava para fugir. Nesse momento, o militar teria efetuado um disparo que atingiu a assaltante pelas costas. Na sequência, de acordo com a denúncia, ele se aproximou e realizou novos disparos à curta distância, atingindo regiões como cabeça e pescoço, o que provocou a morte.

Para o Ministério Público, a forma como os disparos foram realizados caracteriza o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, enquadrando o caso como homicídio qualificado.

A defesa

Para o criminalista Maigsom Fernandes, responsável pela defesa, a denúncia apresentada pelo MPTO representa um claro caso de “inversão de valores” no sistema de justiça.

“O policial — que estava de folga — foi vítima de um assalto à mão armada e viveu uma situação de extremo risco. Ainda assim, acabou sendo denunciado por homicídio qualificado”, afirmou.

“Estamos assistindo a um cenário preocupante, em que quem sofre a violência é colocado no banco dos réus, enquanto o contexto real dos fatos é ignorado. Isso é uma grave inversão de valores”, acrescentou o advogado.

Segundo a defesa, tratar o caso como execução ignora a dinâmica do crime e o impacto de uma abordagem armada. Para o criminalista, a interpretação da acusação é “simplista e desconectada da realidade”.

Julgamento e ponto central

O caso será analisado pelo Tribunal do Júri, onde caberá aos jurados decidir se houve excesso na reação ou se a conduta do militar se insere em um contexto de legítima defesa.

É esse conflito de versões — entre execução e reação a um assalto — que será levado ao plenário.

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