Vice nunca mais teria aparecido no Palácio após o retorno de Wanderlei.
Notícias do Tocantins – A polêmica em torno do 'despejo' do gabinete do vice-governador Laurez Moreira (PSD) do Palácio Araguaia ganhou novas revelações. Relatos obtidos pelo AF junto a fontes políticas do próprio Palácio, sob condição de anonimato, indicam que o esvaziamento do espaço teria ocorrido em um contexto de abandono do local, e não como um ato súbito ou isolado.
Segundo uma fonte palaciana, o vice-governador não teria mais retornado ao Palácio desde 5 de dezembro do ano passado, data em que o governador Wanderlei Barbosa reassumiu o cargo após afastamento judicial. A mesma fonte afirma que, desde então, nem Laurez nem integrantes de sua equipe passaram a dar expediente no local.
“O gabinete estava, na prática, abandonado há mais de 40 dias”, relatou a fonte, ao sustentar que a reorganização do espaço apenas formalizou uma situação já consolidada nos bastidores.
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De acordo com o relato, a área antes destinada ao vice-governador deverá ser redistribuída para abrigar duas ou três secretarias. Ainda conforme a fonte, o ambiente político no Palácio tornaria improvável qualquer retomada de atividades por parte do vice no local. “Mesmo que ele resolvesse aparecer, quem iria procurá-lo ali?”, questionou, sugerindo um clima de isolamento político.
Nos bastidores, o episódio também é comparado a situações semelhantes ocorridas em outras gestões. A fonte recordou que, durante o mandato da ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro (PSDB), o então vice-prefeito André Gomes teria ocupado uma sala de apenas 12 mestros quadrados no Parque do Povo ao longo de todo o período de governo.
Outro ponto mencionado diz respeito ao período em que Laurez Moreira assumiu interinamente o governo. Segundo a fonte, teriam sido retirados veículos oficiais e a estrutura de segurança do governador Wanderlei Barbosa, mesmo ele permanecendo, à época, na condição formal de chefe do Executivo.
“Agora, tenta se apresentar como vítima”, afirmou a fonte, resumindo a leitura política feita dentro do próprio Palácio Araguaia.
Publicamente, o governo tem tratado o caso como uma decisão administrativa, enquanto aliados do vice classificam o episódio como retaliação política. O contraste entre as versões evidencia que o chamado “despejo” vai além da mudança física de um gabinete e expõe, de forma mais ampla, o distanciamento político entre governador e vice, num momento em que o tabuleiro eleitoral e institucional do Tocantins começa a se redesenhar.