Imagem foi divulgada nas redes sociais logo depois da decisão de Nunes Marques.
Notícias do Tocantins - O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), publicou nas redes sociais uma foto em que aparece ajoelhado em gesto de agradecimento, logo após a liminar do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou seu retorno ao cargo. Na imagem, registrada em frente a um portal das Serras Gerais, o governador aparece de joelhos e escreveu na legenda apenas: “Obrigado, meu Deus”.
A postagem foi feita na tarde desta sexta-feira (5/11), no Instagram, e rapidamente ganhou grande repercussão. Em poucas horas, ultrapassou 19 mil curtidas e acumulava cerca de 3 mil comentários, em sua maioria com mensagens de apoio, comemoração e boas-vindas ao retorno de Wanderlei ao Palácio Araguaia.
A decisão que garantiu a volta do governador ao exercício do mandato tem efeito imediato, mas ainda será submetida à análise da Segunda Turma do STF, que poderá manter ou derrubar a liminar.
Wanderlei estava afastado há pouco mais de três meses, em razão das investigações que apuram suposto desvio de recursos públicos em contratos para compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.
Na mesma decisão que determinou seu afastamento, a Justiça também havia atingido a primeira-dama Karynne Sotero, que ocupava cargo no governo. O retorno dela, no entanto, não é mencionado na liminar concedida pelo STF.
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Em nota, a defesa do governador afirmou que recebeu a decisão com tranquilidade. “Recebemos com serenidade a decisão emanada do Supremo Tribunal Federal proferida na data de hoje, a qual viabiliza o retorno ao cargo para o qual foi legitimamente eleito pelo povo tocantinense”, diz o comunicado.

O que diz a decisão do STF
Na liminar publicada nesta sexta-feira, o ministro Nunes Marques entendeu que, neste momento das investigações, não estariam mais presentes os requisitos necessários para a manutenção do afastamento cautelar do governador Wanderlei Barbosa.
Segundo o despacho, o afastamento do chefe do Poder Executivo, por seu impacto institucional e político, deve ser medida excepcional, aplicada apenas quando houver risco concreto às investigações, à ordem pública ou à instrução processual - elementos que, na avaliação do ministro, não estariam devidamente demonstrados de forma atualizada.
Com isso, Nunes Marques determinou o imediato retorno de Wanderlei ao exercício do mandato, com restauração integral das prerrogativas do cargo. A decisão ainda será analisada pela Segunda Turma do STF, composta por cinco ministros, que poderá confirmar ou revogar a liminar.
Sobre o afastamento
Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo em setembro, por decisão do STJ no âmbito de uma operação que investiga supostas irregularidades em contratos firmados durante a pandemia de Covid-19, especialmente na aquisição de cestas básicas para famílias em situação de vulnerabilidade social.
De acordo com as investigações, os contratos sob suspeita apresentariam indícios de sobrepreço, direcionamento e falhas na execução, além de possível favorecimento indevido a fornecedores. Os recursos investigados são de origem estadual e federal.
Na ocasião do afastamento, também foi determinada a saída da primeira-dama Karynne Sotero, que era secretária. O caso gerou forte impacto político e administrativo no Estado, resultando na assunção interina do comando do Executivo e na reconfiguração das forças políticas no Palácio Araguaia.
Desde o início das apurações, Wanderlei sempre negou irregularidades e classificou o afastamento como medida extrema e desproporcional, afirmando confiar plenamente na Justiça.