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Arnaldo Filho

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Insatisfação e resistência

Grupo aliado do prefeito de Dianópolis segue resistente à renúncia para disputa em 2026

Aliados seguem resistentes, mas prefeito insiste no projeto de renúncia.

Por Arnaldo Filho
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16/01/2026 09h49 - Atualizado há 3 semanas
Prefeito José Salomão e vice Hormides Rodrigues

Notícias do Tocantins – O grupo político aliado do prefeito de Dianópolis, José Salomão (PT), segue resistente e demonstra crescente insatisfação diante da possibilidade de o gestor renunciar ao mandato para disputar uma vaga de deputado federal em 2026. O tema tem provocado desconforto interno e exposto divergências entre lideranças locais do Partido dos Trabalhadores no município.

De acordo com relatos de integrantes do diretório municipal, o descontentamento teve início quando o prefeito passou a ventilar a hipótese de deixar a prefeitura sem levar a discussão a instâncias partidárias formais, como assembleias ou reuniões do diretório local. A insatisfação aumentou após Salomão afirmar publicamente, em entrevistas à imprensa, que a decisão seria “irrevogável”, novamente sem consulta prévia às lideranças do partido em Dianópolis.

Fontes ligadas ao PT local afirmam que há críticas à forma como o prefeito conduz o diálogo interno e à ausência de construção coletiva sobre temas considerados estratégicos para o partido. Também é questionada a escolha do atual vice-prefeito, Hormides Rodrigues (União Brasil), decisão que, segundo essas lideranças, teria sido pessoal do prefeito. A avaliação interna é de que o gesto sinalizou desconfiança em relação a quadros históricos do próprio PT para assumir a gestão municipal.

Petistas com trajetória no município, como o ex-vereador Tuca Lula do Ferro Velho e Vanceslino Santana, são citados como exemplos de lideranças que não teriam sido consideradas no processo de composição política. Além disso, Salomão optou por não manter o então vice-prefeito Aurélio Araújo, indicado pelo senador Irajá (PSD), parlamentar que destinou mais de R$ 10 milhões em emendas para Dianópolis. No lugar, assumiu como vice Hormides Rodrigues, ligado à senadora Professora Dorinha (União Brasil), grupo historicamente opositor ao PT no estado.

Há ainda críticas à atual direção estadual do PT, presidida por Nile William. Segundo interlocutores locais, a condução política estaria reduzindo a presença e a influência do partido nos municípios, ao permitir que prefeituras comandadas pelo PT passem a ser geridas, na prática, por aliados de forças políticas adversárias à legenda. A avaliação é de que isso pode fragilizar a identidade partidária e abrir espaço para o avanço de opositores.

Nos bastidores, o clima entre parte da militância e lideranças comunitárias é de ruptura política. Há relatos de perda de confiança tanto na condução da prefeitura quanto no projeto eleitoral do prefeito para 2026. Apesar das especulações, até o momento nenhuma liderança relevante do PT no Tocantins declarou apoio público à eventual candidatura de José Salomão a deputado federal.

Enquanto o debate político se intensifica, aliados afirmam que o vice-prefeito tem assumido protagonismo crescente na administração municipal, participando de decisões relacionadas a contratos e à execução orçamentária. Essas movimentações alimentam a percepção de um esvaziamento gradual da atuação direta do prefeito na gestão cotidiana.

Informações de bastidores também indicam que a direção estadual do PT estaria priorizando articulações mais amplas para a formação de chapas em 2026, o que poderia resultar em rearranjos internos e no sacrifício de algumas candidaturas, em função de acordos políticos e compromissos nacionais. Segundo essas fontes, esse cenário tem provocado afastamento de militantes históricos e até a migração de apoios para candidatos de outras legendas.

O quadro observado em Dianópolis é apontado como reflexo de uma crise interna mais ampla no PT tocantinense, marcada por disputas, centralização de decisões e dificuldades de diálogo com as bases municipais. Esse contexto pode ter impacto direto no desempenho eleitoral do partido nas eleições de 2026.

As informações foram repassadas por fontes ligadas ao partido no município, que pediram anonimato por receio de retaliações no ambiente político local.

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