Fiscalização estabeleceu 24 recomendações; apenas sete foram integralmente cumpridas.
Notícias do Tocantins - O Hospital Municipal de Pequeno Porte de Figueirópolis continuará sob monitoramento do Tribunal de Contas do Estado do Tocantins após a unidade técnica concluir que 17 das 24 recomendações expedidas não foram integralmente atendidas.
Segundo a análise, sete medidas foram cumpridas, oito tiveram atendimento parcial e nove não foram cumpridas. Diante das pendências, a conselheira Doris de Miranda Coutinho acolheu apenas parcialmente o plano de ação apresentado pelos gestores e autorizou a abertura do monitoramento.
A fiscalização foi realizada presencialmente em fevereiro de 2026. O trabalho analisou a disponibilidade de profissionais, o controle de medicamentos, a oferta de exames, as condições das ambulâncias, os leitos, as cirurgias eletivas e a qualidade do atendimento prestado à população.
Foram utilizadas entrevistas com gestores, análise de documentos, observação direta e registros fotográficos. José Fontoura Primo, Manoel Alves de Souza Filho e Valdeis Cantuário dos Santos aparecem no processo como responsáveis.
O Despacho nº 595/2026 foi publicado no Boletim Oficial do TCE nº 3987, de 9 de julho de 2026.
Escalas, ponto eletrônico e plantões
Entre as primeiras recomendações está a divulgação diária das escalas médicas e dos demais profissionais em local acessível ao público. O quadro deve apresentar nome, matrícula, registro no conselho de classe, especialidade e duração do plantão.
O TCE também recomendou a reorganização das escalas para impedir jornadas superiores a 24 horas consecutivas e a implantação de controle eletrônico de frequência.
Outro ponto foi a necessidade de divulgar canais para sugestões e reclamações, inclusive os meios de contato da Ouvidoria do próprio Tribunal de Contas.
A fiscalização ainda identificou publicidade privada nas dependências do hospital e recomendou a retirada do material, além da criação de regras formais para a utilização dos murais e espaços institucionais.
Medicamentos e exames
No setor de medicamentos, o Tribunal orientou a realização de um inventário físico completo, acompanhado da implantação de protocolos desde o recebimento até a entrega dos produtos aos pacientes.
Também foi recomendada a criação de um estoque mínimo baseado na demanda histórica e nos prazos de reposição, com revisões periódicas para evitar desabastecimento.
A gestão deverá manter na internet, com atualização quinzenal, a relação dos medicamentos disponíveis na farmácia pública, conforme estabelece a Lei do SUS. Protocolos clínicos para prescrição e dispensação também foram cobrados.
Na área de exames, o TCE recomendou a adoção de diretrizes para exames laboratoriais, eletrocardiogramas e ultrassonografias. A decisão também menciona a necessidade de manutenção preventiva dos aparelhos e de emissão regular de laudos para os eletrocardiogramas.
Um equipamento de raio-X já adquirido deverá passar por análise técnica e sanitária para entrar em funcionamento. Caso a instalação seja inviável, o município terá que apresentar justificativa e uma solução alternativa para atender à demanda.
Três ambulâncias foram citadas
A fiscalização pediu adequações em três ambulâncias identificadas pelas placas QKI-6E99, RSR-9D45 e QWD-2G99. Todos os veículos usados no atendimento deverão ser adequados às necessidades da população e submetidos à vistoria do Detran.
Também foram propostas medidas de segurança, como controle de acesso, barreiras físicas, câmeras, vigilância e protocolos de identificação.
O hospital deverá regularizar a situação predial junto ao Corpo de Bombeiros, instalar e manter extintores em locais adequados e atualizar o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, o CNES.
As recomendações ainda tratam da realização de estudo para possível instalação de gerador de energia, de protocolos para atender aumentos extraordinários da demanda e de medidas de prevenção e combate ao assédio e à violência sexual.
Primeiro plano foi considerado insuficiente
Os gestores apresentaram um primeiro plano de ação, mas a área técnica concluiu que o documento não trazia comprovação suficiente, detalhamento das medidas nem informações claras sobre prazos e andamento das providências.
Após nova intimação, a gestão apresentou documentos complementares. Mesmo assim, a avaliação final constatou que somente sete recomendações estavam totalmente atendidas.
No monitoramento, o município deverá apresentar evidências concretas, como notas fiscais, laudos, fotografias, contratos e relatórios, para demonstrar o cumprimento das medidas que permaneceram pendentes ou incompletas.
A decisão não aplica multa ou outra sanção nesta etapa. O objetivo do monitoramento é verificar se as correções serão efetivamente implantadas.
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