Direto ao Ponto Direto ao Ponto

Arnaldo Filho

redacao@afnoticias.com.br

Assembleia Legislativa

MP dos coronéis é derrubada após empate, saída de Janad e voto de Amélio; 11 foram promovidos

Medida foi derrubada após empate de 7 a 7 e voto decisivo de Amélio Cayres.

Por Arnaldo Filho 888
Comentários (0)

02/07/2026 12h16 - Atualizado há 1 mês
Votação foi decidida pelo presidente Amélio Cayres após empate de 7 a 7.

Notícias do Tocantins - A Assembleia Legislativa do Tocantins (ALETO) rejeitou a medida provisória que aumentava o número de coronéis na estrutura da Polícia Militar. A proposta, enviada pelo governador Wanderlei Barbosa, foi derrubada após uma votação apertada, marcada pelo empate de sete votos a sete e pelo posicionamento decisivo do presidente da Casa, Amélio Cayres.

Conhecida nos bastidores políticos como “MP dos coronéis”, a Medida Provisória nº 22/2026 alterava regras do Estatuto da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. A votação ocorreu nesta quarta-feira, 1º de julho, durante a última sessão ordinária do primeiro semestre legislativo.

Com o empate entre os deputados, Amélio utilizou o voto de desempate e decidiu pela rejeição da matéria. O resultado representou uma derrota política para o Palácio Araguaia, já que a medida havia sido editada pelo Executivo, estava produzindo efeitos e tinha recebido parecer favorável na Comissão de Constituição, Justiça e Redação.

Quem votou contra e a favor

Votaram contra a medida os deputados Gutierres Torquato, Luciano Oliveira, Eduardo Mantoan, Jorge Frederico, Valdemar Júnior, Olyntho Neto e Professor Júnior Geo.

A favor da aprovação ficaram Eduardo Fortes, Ivory de Lira, Marcus Marcelo, Vanda Monteiro, Cleiton Cardoso, Vilmar de Oliveira e Wiston Gomes.

A deputada Janad Valcari deixou o plenário antes da votação, apesar de ser da base governista. Com a ausência, o resultado terminou empatado, transferindo ao presidente da Assembleia a responsabilidade pela decisão final.

Como a medida abriu novas vagas

A MP estabelecia que quatro integrantes da cúpula militar deixariam de ocupar vagas numeradas no almanaque da corporação enquanto estivessem no exercício de funções específicas.

A regra alcançava o comandante-geral da Polícia Militar, o chefe do Estado-Maior, o secretário-chefe da Casa Militar e o secretário-executivo da Casa Militar.

Esses oficiais passariam a permanecer “sem número” na escala hierárquica. Na prática, as vagas anteriormente ocupadas por eles ficavam disponíveis, permitindo a promoção de outros tenentes-coronéis ao posto máximo da carreira.

A justificativa apresentada pelo governo afirmava que a alteração pretendia aperfeiçoar a organização da carreira, harmonizar as regras de movimentação funcional e garantir maior segurança jurídica ao sistema de promoções.

Governo promoveu 11 coronéis

Poucos dias depois da edição da medida provisória, o Governo do Tocantins publicou a promoção de 11 tenentes-coronéis ao posto de coronel da Polícia Militar. Os atos foram divulgados no Diário Oficial do Estado em 17 de abril, com efeitos a partir de 21 de abril de 2026.

Com as promoções, o número de coronéis na ativa aumentou significativamente. A Polícia Militar sustentou que as promoções seguiram os critérios legais e representaram o reconhecimento da carreira dos oficiais.

Impacto financeiro

Um estudo anexado à tramitação legislativa estimou que a promoção de quatro tenentes-coronéis ao posto de coronel provocaria impacto de aproximadamente R$ 158 mil em 2026.

Para 2027 e 2028, a previsão apresentada foi de cerca de R$ 227,8 mil por ano. O cálculo, no entanto, considerava quatro promoções, número inferior aos 11 oficiais efetivamente promovidos pelo governo em abril.

A diferença entre o número utilizado no estudo e a quantidade de promoções realizadas reforçou os questionamentos feitos durante a discussão da matéria.

Deputado questionou prioridades

Um dos principais críticos da medida foi o deputado Professor Júnior Geo. Antes da votação, ele afirmou que a proposta não apresentava estudos técnicos suficientes para demonstrar a necessidade de ampliar o número de coronéis.

Geo também argumentou que a mudança não produziria melhoria direta na segurança pública e questionou a prioridade dada ao aumento de cargos no topo da carreira, enquanto parte dos municípios enfrenta deficiência no efetivo policial.

O deputado ainda comparou as promoções com a situação dos aprovados no concurso da Polícia Militar. Segundo ele, o governo alega limitações financeiras para convocar todos os candidatos, mas criou condições para ampliar a quantidade de oficiais superiores.

O que acontece com as promoções

A rejeição da medida provisória retira a sustentação legislativa para que as mudanças sejam convertidas definitivamente em lei. A partir da decisão da Assembleia, a norma perde eficácia.

A situação das promoções já realizadas, entretanto, não é automaticamente resolvida pela votação. Como os atos foram praticados enquanto a medida provisória estava em vigor, o governo deverá analisar os efeitos jurídicos da rejeição.

A legislação brasileira prevê que, quando uma medida provisória perde eficácia, o Poder Legislativo pode disciplinar por decreto legislativo as relações jurídicas formadas durante a vigência da norma. Caso isso não ocorra, os efeitos dos atos praticados podem permanecer sujeitos à interpretação administrativa e judicial.

Por isso, ainda não é possível afirmar de forma definitiva que os 11 oficiais perderão imediatamente as promoções. O Palácio Araguaia, a Procuradoria-Geral do Estado e o comando da Polícia Militar precisarão definir quais providências serão adotadas.

Também existe a possibilidade de questionamentos no Ministério Público ou no Poder Judiciário, especialmente caso o governo mantenha as promoções sem apresentar uma nova base legal.

Tensão entre governo e Aleto

A derrubada da MP ocorre em um momento de maior tensão entre o Governo do Tocantins e a Assembleia Legislativa.

Nas últimas semanas, deputados também contrariaram o Palácio Araguaia em discussões envolvendo indenizações e benefícios destinados a servidores públicos. O novo resultado mostra que o governo enfrenta dificuldades para garantir maioria mesmo em matérias enviadas diretamente pelo Executivo.

Comentários (0)

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Copyright © 2011 - 2026 AF. Todos os direitos reservados.