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GOVERNO X ASSEMBLEIA

MPTO contesta gestão de Amélio Cayres por devolução de medidas provisórias do governo

MPs sobre indenizações e auxílios a servidores viram foco de disputa.

Por Auro Giuliano I AF Notícias 733
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27/04/2026 08h40 - Atualizado há 2 semanas
Governador Wanderlei Barbosa e o presidente da Aleto, Amélio Cayres

Notícias do Tocantins - A tensão entre o Governo do Tocantins e a Assembleia Legislativa ganhou um novo capítulo após a devolução, pela Casa, das Medidas Provisórias nº 20/2026 e nº 21/2026, que tratam do pagamento de indenizações e auxílios a servidores públicos estaduais.

Em meio ao impasse - que envolve questionamentos sobre legalidade, impacto financeiro e tramitação legislativa - o procurador-geral de Justiça, Abel Andrade Leal Júnior, chefe do Ministério Público, instaurou procedimento administrativo, a partir de representação anônima, e recomendou que a gestão do presidente Amélio Cayres (MDB) reveja a decisão.

O que tratam as medidas provisórias

As medidas provisórias foram editadas após veto do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) aos Autógrafos de Lei nº 36/2026 e nº 73/2026, com o objetivo de regulamentar e garantir o pagamento de benefícios financeiros a servidores de áreas como Educação, Trânsito, Procon e Desenvolvimento Rural.

A Medida Provisória nº 20/2026 foi publicada após veto parcial do governador a um projeto aprovado pela Assembleia que ampliava o alcance do Programa de Fortalecimento da Educação (Profe). O trecho barrado autorizava a inclusão de professores contratados no pagamento da gratificação de incentivo.

Com o veto, somente os servidores efetivos da rede estadual terão direito ao benefício. O Executivo alegou que a ampliação [para os contratados] geraria aumento de despesas sem previsão orçamentária e sem estimativa de impacto financeiro, em desacordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, além de apontar vício de iniciativa.

Para restabelecer o texto original e evitar questionamentos jurídicos, o governo editou a MP nº 20/2026, mantendo o pagamento da gratificação apenas aos profissionais concursados em exercício. A medida já está em vigor, com efeitos financeiros retroativos a 1º de janeiro de 2026.

Já a MP nº 21/2026 foi publicada após o governador vetar outro projeto aprovado pela Assembleia que ampliava benefícios financeiros a servidores. Segundo o Executivo, as alterações promovidas pelos deputados geravam aumento de despesas sem respaldo legal.

Com a medida, os valores foram restabelecidos aos patamares originais, com indenizações em torno de R$ 1 mil e auxílios entre R$ 700 e R$ 800, a depender da função.

“Uma proposta sem respaldo legal pode ser questionada e até anulada. Nossa prioridade é garantir que os benefícios sejam pagos com segurança jurídica”, afirmou o governador.

Decisão da Assembleia e início do conflito

A Assembleia Legislativa, sob o comando do deputado estadual Amélio Cayres (MDB), devolveu as duas medidas provisórias sob o argumento de vícios no processo legislativo. Entre os principais pontos levantados está a regra da irrepetibilidade, que impede a reapresentação de matérias semelhantes dentro da mesma sessão legislativa.

A Casa também apontou ausência de estudos de impacto financeiro. “O texto enviado não estava acompanhado de estimativas de aumento de despesa, como exige a Lei de Responsabilidade Fiscal”, informou.

Outro questionamento foi o uso recorrente de medidas provisórias. “Esse instrumento deve ser utilizado apenas em situações excepcionais”, destacou o Legislativo.

Entrada do Ministério Público

Diante do agravamento do impasse, o Ministério Público do Tocantins decidiu atuar. O procedimento administrativo foi instaurado pelo procurador-geral Abel Andrade Leal Júnior, com foco no acompanhamento e fiscalização da legalidade do processo legislativo.

Na portaria, o órgão aponta risco de prejuízo aos servidores e possível equívoco na decisão da Assembleia. “O Ministério Público busca zelar pela segurança jurídica, preservar o caráter alimentar dos benefícios e resguardar o princípio da independência e harmonia entre os Poderes”, diz o documento.

Principais questionamentos do MPTO

O Ministério Público sustenta que a devolução das medidas provisórias pode ter se baseado em interpretação equivocada da regra de irrepetibilidade, contrariando entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, aponta que emendas parlamentares que ampliaram os benefícios carecem de estimativa de impacto orçamentário, o que pode configurar violação às normas fiscais.

Outro ponto levantado é a possível perda de prazo regimental por parte da Assembleia para devolver as matérias, uma vez que o trâmite já teria sido iniciado nas comissões internas - o que levanta dúvidas sobre a validade do ato.

Por fim, o MPTO destaca o risco de prejuízo direto aos servidores, já que os benefícios têm natureza alimentar e sua interrupção ou insegurança jurídica pode gerar impactos financeiros imediatos.

Recomendação e prazo

O Ministério Público recomendou que o presidente da Assembleia torne sem efeito os atos que devolveram as MPs e restabeleça a tramitação regular das matérias.

A Assembleia tem prazo de dois dias úteis para se manifestar. 

Novo cenário político

O episódio ocorre em um contexto de mudança na relação entre os chefes dos dois Poderes. A Assembleia, antes alinhada ao Executivo, passou a adotar postura mais independente, elevando o nível de tensão institucional.

O impasse afeta diretamente servidores que dependem dos benefícios previstos nas medidas provisórias. Sem solução imediata, cresce o risco de judicialização.

Com a entrada do Ministério Público, o caso ganha dimensão institucional mais ampla e deve seguir como um dos principais focos de tensão política no estado.

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