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BASTIDORES DO PODER

'Não pode me comprar', diz Laurez ao rechaçar renúncia para viabilizar projeto de Wanderlei

Proposta recusada é apontada como um dos estopins do embate público.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 2.486
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19/01/2026 18h55 - Atualizado há 3 semanas
A proposta rejeitada previa renúncia de Laurez em troca de cargo no TCE

Notícias do Tocantins - A recusa do vice-governador Laurez Moreira (PSD) a uma suposta proposta que teria sido apresentada por aliados do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) é apontada, nos bastidores, como um dos fatores que contribuíram para o mais recente embate público entre os dois e o despejo do gabinete no Palácio Araguaia. O episódio teria atingido diretamente a principal estratégia política de Wanderlei para viabilizar uma eventual candidatura ao Senado em 2026.

De acordo com relatos de bastidores do governo, a proposta envolvia a indicação de Laurez para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em contrapartida, o vice-governador renunciaria ao mandato, permitindo que Wanderlei também deixasse o cargo para disputar o Senado tranquilamente. Laurez, no entanto, teria rejeitado de forma categórica a articulação e reafirmado que seu projeto político permanece sendo disputar o governo do Tocantins.

Antes mesmo do afastamento determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o governador Wanderlei já articulava uma frente política para 2026, tendo o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), como pré-candidato ao governo. Apesar disso, ele já declarou publicamente por várias vezes que cumprirá o mandato até o fim, porém, aliados reconhecem, em conversas reservadas, que a hipótese de uma candidatura ao Senado sempre foi considerada.

A estratégia da chamada “dupla renúncia” seria semelhante à ocorrida em 2014, com as renúncias de Siqueira Campos e João Oliveira, governador e vice, respectivamente. A saída simultânea de Wanderlei e Laurez beneficiaria Amélio Cayres, que assumiria interinamente o comando do Palácio Araguaia e, com a máquina administrativa nas mãos, sairia fortalecido tanto para uma eventual eleição indireta quanto para a disputa regular de outubro.

Com o retorno de Wanderlei ao cargo, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o governo passou por uma ampla reorganização administrativa e por um redesenho do tabuleiro político, já com foco nas eleições de 2026. Foi nesse contexto que, segundo fontes próximas ao Palácio Araguaia, aliados do governador voltaram a procurar Laurez, reapresentando a possibilidade de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado como tentativa de distensionar o ambiente interno e viabilizar a estratégia eleitoral. A nova recusa do vice-governador teria aprofundado ainda mais o desgaste, que acabou extrapolando os bastidores.

A crise ganhou contornos públicos com trocas diretas de acusações. Wanderlei passou a atribuir a Laurez falta de lealdade política, enquanto o vice reagiu de forma contundente. Questionado sobre se a recusa teria contribuído para o agravamento da crise e para o enfraquecimento do projeto de Wanderlei ao Senado, Laurez respondeu de forma direta: “Ele viu que não pode me comprar”. Em outra declaração, afirmou que os ataques que vem sofrendo seriam motivados “por vaidades, por interesses pessoais ou outros interesses, que tentam me transformar em algo que eu nunca fui”.

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Novo cenário

Paralelamente, o cenário político sofreu uma inflexão com a aproximação de Wanderlei ao grupo da senadora Dorinha Seabra (União Brasil), pré-candidata ao governo. O movimento acabou por colocar em segundo plano a construção em torno da candidatura de Amélio Cayres, alterando o desenho originalmente trabalhado pelo núcleo político do governador.

Wanderlei sem cargo após 37 anos

Ao decidir levar o mandato até o fim, Wanderlei ficará, pela primeira vez em 37 anos de vida pública, sem mandato eletivo. Sua trajetória inclui mandatos como vereador em Porto Nacional e Palmas, dois mandatos como deputado estadual, a vice-governadoria e a eleição ao governo em 2022.

Reflexos na família Barbosa

A permanência no Palácio Araguaia também impõe restrições políticas à família Barbosa. Pela legislação eleitoral, a continuidade de Wanderlei no cargo impede que a esposa, a primeira-dama afastada Karynne Sotero, e o filho Rérison Antônio Castro Leite disputem cargos em 2026. Apenas o deputado estadual Léo Barbosa poderia concorrer, restrito à reeleição.

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