De janeiro a agosto, as receitas primárias da capital chegaram a R$ 1,8 bilhão.
Notícias de Palmas - A Prefeitura de Palmas arrecadou mais do que esperava nos oito primeiros meses de 2026, ampliou em 68% os investimentos públicos e registrou forte desempenho na cobrança de impostos. Os números, porém, também acendem um sinal de atenção sobre as despesas: o superávit primário ficou R$ 38,7 milhões abaixo da meta e, quando retiradas as contas da Previdência municipal, o resultado ficou negativo em R$ 16,1 milhões.
Os dados fazem parte do Relatório de Avaliação do Cumprimento da Meta Fiscal do 2º quadrimestre de 2026, apresentado nesta quarta-feira (30/09) durante audiência pública na Comissão de Finanças, Tributação, Fiscalização e Controle da Câmara Municipal.
De janeiro a agosto, as receitas primárias chegaram a R$ 1,8 bilhão, ficando R$ 201,3 milhões acima do que havia sido programado para o período. Segundo os números apresentados pela gestão, a arrecadação cresceu R$ 311,2 milhões na comparação com 2025.
O desempenho mostra que dinheiro entrou nos cofres municipais em volume maior que o projetado. Mas as despesas também avançaram. As despesas liquidadas alcançaram R$ 1,79 bilhão e apresentaram crescimento de aproximadamente 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Superávit ficou 42% abaixo da meta
Um dos números que mais chama atenção aparece no resultado primário, indicador utilizado para avaliar a capacidade do poder público de equilibrar receitas e despesas antes de determinados encargos financeiros.
Considerando o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), Palmas fechou o período com superávit primário de R$ 53,4 milhões.
Apesar de positivo, o resultado ficou R$ 38,7 milhões abaixo da meta fiscal de R$ 92,1 milhões estabelecida para o período. Isso significa que o superávit alcançado correspondeu a cerca de 58% do valor projetado, ficando aproximadamente 42% abaixo da meta.
Quando as contas do RPPS são retiradas do cálculo, o cenário muda: o Município registrou déficit primário de R$ 16,1 milhões. Na prática, as despesas primárias consideradas nesse recorte superaram as receitas em igual valor.
Durante a audiência, o secretário municipal de Planejamento e Gestão, André Fagundes Cheguhem, afirmou que a administração trabalha para reduzir despesas sem comprometer a prestação dos serviços públicos.
“Nós estamos muito pouco abaixo da meta. Então, já é um trabalho contínuo que temos feito de redução de despesa, sem prejudicar a entrega de bens e serviços à sociedade”, afirmou.
Impostos rendem R$ 524 milhões
A arrecadação própria também ganhou força em 2026. As receitas tributárias chegaram a R$ 524,5 milhões, R$ 48,4 milhões acima da previsão de R$ 476,1 milhões.
Isso representa uma arrecadação aproximadamente 10% superior ao que havia sido projetado.
O principal motor foi o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), que sozinho colocou R$ 247,7 milhões nos cofres municipais. O valor ficou 17% acima do previsto e apresentou crescimento real de 18,3% em relação a 2025.
O ISS respondeu, sozinho, por aproximadamente 47% de toda a receita tributária municipal registrada no período.
Segundo a Prefeitura, o desempenho está relacionado, entre outros fatores, à adoção do padrão nacional da Nota Fiscal de Serviço Eletrônica e à criação do Núcleo de Inteligência Fiscal, voltado também à recuperação da Dívida Ativa.
O secretário André Cheguhem atribuiu o aumento da receita ao crescimento das transferências correntes e das receitas próprias. “O crescimento da receita foi impulsionado, sobretudo, pelo resultado positivo das transferências correntes e pelo aumento das receitas próprias. A modernização da gestão fiscal tem fortalecido continuamente a capacidade arrecadatória do Município”, afirmou.
Educação e saúde concentram gastos
Entre as despesas executadas pelo Município, a Educação liderou com R$ 519,7 milhões. A Saúde aparece em seguida, com R$ 360,3 milhões, e o Urbanismo consumiu outros R$ 212,4 milhões.
Somadas, as três áreas movimentaram aproximadamente R$ 1,09 bilhão, o equivalente a cerca de 61% das despesas liquidadas de R$ 1,79 bilhão apresentadas no relatório.
Investimentos saltam 68%
Se a expansão das despesas pressiona o resultado fiscal, outro dado mostra aumento significativo dos recursos destinados a investimentos.
O volume saltou de R$ 74,8 milhões em 2025 para R$ 125,6 milhões neste ano, crescimento nominal de 68%.
Desse total, R$ 50,3 milhões foram aplicados em obras e instalações, enquanto R$ 28 milhões foram destinados à manutenção e conservação de vias.
O aumento representa R$ 50,8 milhões a mais em investimentos em relação ao mesmo período de 2025.
Receita cresce, mas controle da despesa vira desafio
O conjunto dos números revela duas faces das contas públicas de Palmas em 2026.
De um lado, a Prefeitura apresenta arrecadação R$ 201,3 milhões superior ao previsto, crescimento das receitas tributárias, desempenho expressivo do ISS e avanço de 68% nos investimentos.
Do outro, as despesas também cresceram, o resultado primário ficou abaixo da meta fiscal e, excluídas as contas previdenciárias, houve déficit de R$ 16,1 milhões.
O comportamento das despesas nos últimos quatro meses do ano será, portanto, determinante para saber se Palmas conseguirá encerrar 2026 mais próxima das metas fiscais estabelecidas.
A prestação de contas foi realizada em audiência pública na Câmara Municipal em cumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal.
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