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ELEIÇÕES 2026

Pesquisa que agitou bastidores políticos é suspensa pela Justiça Eleitoral após ação do PDT

Decisão aponta falta de comprovação financeira e erro na filiação de Laurez.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 1.786
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10/02/2026 10h26 - Atualizado há 1 mês
Pesquisa abordava intenções de voto para os cargos de governador, senador e deputado

Notícias do Tocantins - A Justiça Eleitoral do Tocantins determinou a suspensão imediata da divulgação da pesquisa eleitoral nº TO-02251/2026, realizada pela empresa Lucro Ativo Ltda., após identificar irregularidades consideradas graves no registro e na metodologia do levantamento sobre as eleições de 2026.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (9) pelo juiz Marcelo Augusto Ferrari Faccioni, relator de representação ajuizada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), e acolheu integralmente o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral. 

A pesquisa trouxe intenções de voto para os cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual, e estava sendo amplamente divulgada por pré-candidatos que apareceram bem pontuados no levantamento. A pesquisa vinha sendo divulgada desde 1º de fevereiro em diferentes plataformas digitais.

Entre os principais problemas apontados está a ausência do Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE), documento obrigatório quando a pesquisa é financiada com recursos próprios. De acordo com o relator, a falta do documento “compromete a transparência e impede a fiscalização da origem dos recursos e da capacidade operacional da empresa”.

Outro ponto considerado grave foi o erro material no questionário aplicado aos eleitores. Na pergunta estimulada, o pré-candidato Laurez Moreira foi identificado como filiado ao PDT, quando, na realidade, é filiado ao PSD.

Para o magistrado, “a correta identificação da agremiação partidária é elemento essencial do estímulo em pesquisas eleitorais”, e a falha “possui potencial concreto de distorcer a manifestação de vontade do entrevistado, maculando a fidedignidade dos resultados”.

A Procuradoria Regional Eleitoral também destacou que a irregularidade “contamina a coleta de dados, induzindo o eleitor a erro”, especialmente em levantamentos de natureza estimulada, nos quais as informações prévias influenciam diretamente a resposta.

Perfil da empresa

A pesquisa foi registrada como financiada com recursos próprios no valor de R$ 15 mil e realizada pela Lucro Ativo Ltda., microempresa sediada em Palmas, fundada em 2021, com capital social declarado de R$ 100 mil. Segundo dados da Receita Federal, a empresa tem como atividade principal pesquisas de mercado e de opinião pública, mas também atua nos ramos de edição de jornais, revistas, livros, agências de notícias, portais de internet e consultoria em publicidade.

Na decisão, o juiz destacou que, sem a apresentação do DRE, “fica inviabilizada a aferição da real capacidade econômica da empresa”, o que é requisito essencial quando o próprio instituto se declara financiador do levantamento.

Risco de desinformação

Na avaliação do magistrado, o perigo de dano é imediato, já que a pesquisa foi amplamente divulgada e poderia influenciar o eleitorado com base em dados obtidos por metodologia irregular e premissas fáticas equivocadas.

Com a decisão, a empresa foi obrigada a:

  • suspender a divulgação da pesquisa no prazo de 24 horas;

  • não realizar novas publicações até decisão final.

Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil.

A Lucro Ativo foi citada para apresentar defesa em até dois dias. Após esse prazo, o processo será analisado para julgamento definitivo pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins.

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