Deputado federal vem articulando a construção de uma chapa majoritária ao governo.
Notícias do Tocantins - Em menos de uma semana, a política tocantinense assiste a uma reviravolta simbólica e estratégica envolvendo o prefeito de Paraíso do Tocantins, Celso Morais (MDB). Após anunciar publicamente que não disputaria nenhum cargo em 2026 e que permaneceria no comando da 5ª maior cidade do Estado até o fim do mandato, o gestor passou a admitir, pela primeira vez, a possibilidade de integrar uma chapa majoritária, após convite para ser candidato a vice-governador em uma eventual chapa encabeçada pelo deputado federal Vicentinho Júnior (PP).
A mudança de discurso ocorre após Vicentinho declarar que Celso seria o “vice dos seus sonhos”. Em entrevista ao programa Tribuna do Povo, da Rádio Nova FM, de Gurupi, o prefeito confirmou ter recebido ligação do parlamentar e afirmou estar “aberto ao diálogo”, condicionando qualquer decisão à avaliação do seu grupo político. “Não temos dificuldade nenhuma de caminharmos juntos porque nossos propósitos e princípios são os mesmos”, disse Celso, ao reconhecer a afinidade política construída ao longo de três eleições consecutivas de apoio mútuo.
Do ponto de vista político, Celso ocupa uma posição privilegiada: comanda um dos maiores colégios eleitorais do Tocantins, tem gestão bem avaliada, trânsito em diferentes campos partidários e imagem associada a um perfil técnico-administrativo. Isso o transforma, automaticamente, em ativo estratégico para qualquer projeto ao Palácio Araguaia.
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Para Vicentinho Júnior, a sinalização não é casual. Ao buscar Celso como vice, o deputado tenta agregar um nome com densidade administrativa, capaz de dialogar com prefeitos e eleitores fora da capital. A composição também teria apelo simbólico: dois políticos jovens, com histórico de gestão e discurso de renovação, em contraste com figuras tradicionais que ainda dominam o cenário estadual.
Já para Celso, ser candidato a vice-governador representa uma transição de escala. De líder municipal consolidado, passaria a ator central na política estadual, sem abrir mão do discurso de que “pensa mais gestão do que política”. Ao afirmar que está “aberto a qualquer possibilidade”, o prefeito deixa claro que não está fora do jogo - apenas reposicionou suas fichas.
A reviravolta também produz efeitos colaterais no tabuleiro político. O MDB, que até então não tinha protagonismo explícito na disputa pelo governo, passa a ser cortejado indiretamente. Ao mesmo tempo, Celso se afasta, ainda que momentaneamente, do eixo Dorinha/União Brasil e do campo mais próximo ao senador Eduardo Gomes (PL), ampliando o espaço de manobra de Vicentinho no centro político.
Celso Morais ressalta que não abandonou o projeto de permanecer como prefeito até 2028, mas deixou a porta aberta para um salto político que só ocorre quando o convite vem acompanhado de peso, visibilidade e perspectiva real de poder. A política, como ele próprio resumiu, “não permite fechar diálogos”. E, no Tocantins de 2026, quem fecha portas cedo demais costuma assistir ao jogo da arquibancada.