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Arnaldo Filho

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Suposta milícia digital

Saiba o que motivou a operação da PF contra prefeito e influenciadores digitais de Colinas

A investigação teve início após polêmica entre prefeito e a vereadora Naiara Miranda.

Por Arnaldo Filho 1.110
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12/03/2026 10h58 - Atualizado há 1 mês
Operação da PF na casa do prefeito de Colinas do Tocantins

Notícias do Tocantins – A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (12) a Operação Cortina Digital, uma ofensiva que investiga a existência de uma estrutura organizada para ataques políticos nas redes sociais e possível violência política de gênero em Colinas do Tocantins.

Entre os alvos da operação está a residência do prefeito de Colinas do Tocantins, Josemar Carlos Kasarin (União Brasil), onde agentes cumpriram um dos três mandados de busca e apreensão autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO). Também foram alvos da investigação dois influenciadores digitais suspeitos de participação na disseminação de ataques políticos.

Origem da investigação

A investigação teve início após um discurso do prefeito durante a sessão de abertura do ano legislativo na Câmara Municipal, quando, segundo a Polícia Federal, ele teria ameaçado e constrangido publicamente a vereadora Naiara Miranda (MDB), situação que motivou a abertura do inquérito para apurar possível violência política de gênero.

A partir desse episódio, os investigadores passaram a monitorar a atuação de perfis em redes sociais e identificaram indícios de que servidores públicos estariam utilizando páginas e perfis digitais para divulgar conteúdos ofensivos e informações falsas, numa suposta tentativa de desgastar politicamente a parlamentar e outros adversários ligados a ela.

Segundo a PF, há suspeita de que essas páginas funcionassem como uma espécie de milícia digital voltada à difamação política, prática que pode configurar crimes eleitorais e ataques à honra.

O que a PF investiga

O foco da operação é esclarecer se houve organização estruturada para promover campanhas de ataques virtuais contra agentes políticos, utilizando redes sociais administradas por pessoas ligadas ao poder público municipal.

De acordo com a Polícia Federal, esse tipo de prática pode caracterizar violência política de gênero, crime previsto na legislação eleitoral quando há constrangimento, perseguição, humilhação ou ameaça contra mulher em razão de sua atuação política.

A pena prevista para esse crime pode chegar a quatro anos de prisão, além de multa, caso os investigados sejam condenados.

Mandados e diligências

Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Durante a operação, agentes recolheram equipamentos eletrônicos e materiais que podem ajudar a esclarecer a atuação do grupo nas redes sociais.

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre eventuais materiais apreendidos nem confirmou o número total de investigados.

Reação do prefeito

Momentos depois da operação, o prefeito Kasarin publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que os agentes fizeram apenas uma vistoria em sua residência e deixaram o local sem apreender nada irregular.

“Recebemos uma visita da Polícia Federal aqui na casa do Azulão. Quem não deve não teme. Depois de fazerem uma vistoria, não encontraram nada de irregular”, disse.

O prefeito também atribuiu a investigação a denúncias feitas por adversários políticos. “Isso são intrigas da oposição tentando fazer confusão com o prefeito Azulão. Mais uma vez deram com a cara no chão, porque aqui não encontraram nada de irregular”, declarou.

Cenário político

Kasarin é pré-candidato a deputado estadual nas eleições de 2026 e deverá renunciar ao cargo de prefeito no início de abril, dentro do prazo de desincompatibilização previsto pela legislação eleitoral.

A operação ocorre justamente no momento em que o cenário político começa a se movimentar para a disputa eleitoral, o que amplia a repercussão do caso na região.

Significado da operação

O nome Operação Cortina Digital faz referência à expressão “cortina de fumaça”, utilizada para descrever estratégias de distração ou manipulação da opinião pública. Segundo a Polícia Federal, a denominação simboliza a suspeita de que ataques e narrativas nas redes sociais tenham sido usados para confundir ou influenciar o debate político local.

As investigações continuam em andamento.

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