Menos de dois meses após assumir UPAs, Santa Casa já enfrenta atrasos nos pagamentos.
Notícias de Palmas - A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba confirmou que notificou formalmente a Prefeitura de Palmas por causa de atrasos nos pagamentos do contrato de gestão das Unidades de Pronto Atendimento Norte e Sul.
Apesar da cobrança e da comunicação anterior de que encerraria os serviços no prazo de 30 dias, a entidade afirma que o contrato permanece em vigor e que as unidades continuam funcionando normalmente.
A confirmação foi encaminhada ao AF Notícias após a reportagem ter acesso ao ofício protocolado pela instituição junto à Secretaria Municipal da Saúde. O documento, datado de 10 de junho de 2026, aponta duas faturas vencidas e comunica a intenção de encerrar a gestão das UPAs caso a situação não seja solucionada.
“A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba confirma que protocolou, junto à Secretaria Municipal da Saúde de Palmas, ofício formal relacionado ao Termo de Colaboração nº 001/2026/SEMUS, em razão do atraso nos pagamentos por parte do Município”, informou.
A Prefeitura de Palmas também foi procurada, mas ainda não respondeu aos questionamentos sobre os valores em atraso, a eventual regularização dos repasses e as providências adotadas para garantir a continuidade dos atendimentos.
Contrato segue em vigor, diz entidade
Na nota, a Santa Casa afirma que a medida foi tomada para preservar os atendimentos e assegurar a regularidade dos serviços prestados à população.
A instituição declarou que o contrato continua sendo cumprido integralmente e que as UPAs Norte e Sul mantêm o atendimento normal.
“A Santa Casa esclarece que o contrato segue em vigor e está sendo integralmente cumprido pela Irmandade. As UPAs Norte e Sul continuam operando normalmente, com atendimento pleno à população”, diz a nota.
A entidade, entretanto, não informou se a Prefeitura de Palmas quitou as faturas apontadas como vencidas no ofício nem se a comunicação de encerramento dos serviços no prazo de 30 dias foi retirada ou suspensa.
Santa Casa garante pagamento de salários
A instituição informou ainda que o atraso nos repasses municipais não comprometeu o pagamento dos funcionários que atuam nas duas unidades.
Segundo a Santa Casa, foi realizado nesta sexta-feira, 19 de junho, um adiantamento parcial referente ao período em curso. “Como demonstração concreta desse compromisso, foi efetuado nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o pagamento de adiantamento parcial referente ao período em curso. A medida reforça a solidez institucional da Santa Casa e o respeito mantido com seus colaboradores”, afirmou.
A entidade não detalhou o valor do adiantamento, quantos trabalhadores foram contemplados ou a data prevista para o pagamento integral.
Ofício aponta duas faturas vencidas
No documento obtido pelo AF Notícias, a Santa Casa afirma que o Termo de Colaboração nº 001/2026 prevê o pagamento mensal de R$ 9.279.861,80 referente aos componentes fixos, com vencimento até o décimo dia do mês seguinte.
O contrato também estabelece uma parcela variável, limitada a R$ 2.319.965,44 por mês, com pagamento previsto até o vigésimo dia do mês subsequente.
Segundo o ofício, até 10 de junho, a Prefeitura de Palmas não havia quitado a parcela fixa vencida em 10 de maio nem a parcela variável com vencimento em 20 de maio.
O documento não apresenta o valor exato da parcela variável. Dessa forma, ainda não é possível calcular o total do débito apenas com base nas informações disponíveis.
A instituição sustentou que a falta de pagamento provocava a “total inexequibilidade” dos serviços previstos na parceria.
Entidade havia comunicado encerramento em 30 dias
Diante da alegada inadimplência, a Santa Casa invocou uma cláusula do contrato que permite o encerramento da parceria quando fatos posteriores tornam sua continuidade formal ou materialmente inviável.
“Vimos, pelo presente, formalizar denúncia do Termo de Colaboração nº 001/2026/SEMUS, comunicando que, no prazo de 30 dias, encerraremos os serviços de operacionalização, gestão e execução das ações e serviços de saúde” nas UPAs Norte e Sul, afirma o ofício.
No contexto do documento, a palavra “denúncia” tem sentido contratual e significa a comunicação de encerramento da parceria, não uma acusação criminal.
Como o ofício foi datado de 10 de junho, o prazo de 30 dias terminaria por volta de 10 de julho. A nota encaminhada pela Santa Casa não esclarece se essa contagem permanece válida.
Notificação ocorreu menos de dois meses após início da gestão
O contrato para a gestão das duas UPAs foi assinado no valor de R$ 139,2 milhões pelo período de um ano. A operação integral da Santa Casa nas unidades começou em 13 de abril.
A notificação por falta de pagamento foi formalizada, portanto, menos de dois meses depois do início do novo modelo.
O ofício foi assinado digitalmente pelo provedor da instituição, Emerson Ricardo Netto, e endereçado à então secretária municipal da Saúde, Dhieine Caminski.
A comunicação ocorreu no mesmo dia em que Dhieine e o então superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, foram presos preventivamente durante uma nova fase da Operação Falsa Emergência.
Contratação está sob investigação
A terceirização das UPAs Norte e Sul é investigada pela Polícia Civil, que apura possíveis irregularidades no processo de contratação da Santa Casa de Itatiba.
Além de Dhieine Caminski e Andreis Vicente, a Justiça decretou a prisão da empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada pela investigação como possível articuladora de interesses relacionados à contratação. Ela se apresentou no dia 15 de junho e teve o mandado cumprido.
As prisões são cautelares e não representam condenação. Todos os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.
A legalidade da parceria também é discutida judicialmente. O Ministério Público do Tocantins apresentou documentos em uma ação que busca suspender o contrato e devolver ao município a gestão direta das unidades.
O AF Notícias questionou a Prefeitura de Palmas sobre o valor da dívida, os motivos dos atrasos, a regularização dos pagamentos e a vigência da notificação de encerramento dos serviços. Até a publicação desta reportagem, o município não havia se manifestado. O espaço continua aberto para esclarecimentos.
O QUE DIZ A SANTA CASA?
A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba confirma que protocolou, junto à Secretaria Municipal da Saúde de Palmas, ofício formal relacionado ao Termo de Colaboração nº 001/2026/SEMUS, em razão do atraso nos pagamentos por parte do Município.
A medida foi adotada de forma responsável, com o objetivo de preservar a continuidade dos atendimentos à população e garantir a regularidade dos serviços essenciais prestados nas UPAs Norte e Sul de Palmas.
A Santa Casa esclarece que o contrato segue em vigor e está sendo integralmente cumprido pela Irmandade. As UPAs Norte e Sul continuam operando normalmente, com atendimento pleno à população.
Em relação aos colaboradores, a instituição informa que o atraso nos pagamentos por parte do Município não impactou o pagamento dos salários. Ao longo de seus 127 anos de história, a Santa Casa de Itatiba construiu sua trajetória com base na seriedade, na responsabilidade e no compromisso com as pessoas.
Como demonstração concreta desse compromisso, foi efetuado nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o pagamento de adiantamento parcial referente ao período em curso. A medida reforça a solidez institucional da Santa Casa e o respeito mantido com seus colaboradores.
A Irmandade permanece à disposição para os esclarecimentos necessários e segue conduzindo o tema com responsabilidade, transparência institucional e prioridade absoluta à continuidade dos serviços prestados à população."
O QUE DIZ A PREFEITURA?
"A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) está adotando todas as medidas para garantir a oferta dos serviços nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul de Palmas, sem prejuízos na assistência à população. A organização social Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba notificou a gestão sobre o atraso no repasse referente ao Termo de Colaboração da Gestão Compartilhada e a Semus informa que as providências administrativas cabíveis já estão em andamento visando à regularização financeira para garantir que a parceria e os atendimentos não sofram interrupções".