Aproximação com prefeitos Auri e Clayton Paulo reforça novo eixo político do governador.
Notícias do Tocantins - O governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) iniciou um movimento explícito de reaproximação com antigos adversários políticos e passou a redesenhar, na prática, o tabuleiro da sucessão estadual de 2026. O gesto mais simbólico ocorreu nesta terça-feira (27), quando recebeu no Palácio Araguaia os prefeitos de Axixá, Auri-Wulange Ribeiro Jorge (União Brasil), e de Nazaré, Clayton Paulo (PSD), até então considerados opositores duros da gestão.
A reunião foi articulada pela senadora Dorinha Seabra (União Brasil) e pelo deputado federal Carlos Gaguim (União Brasil) e marcou não apenas um gesto de distensão institucional, mas uma inflexão política do próprio governador. Segundo relatos dos prefeitos, o encontro foi “positivo e descontraído”, com Wanderlei defendendo que as divergências eram “conjunturais e próprias do período eleitoral” e que, a partir de agora, a palavra de ordem seria parceria.
O caso de Auri-Wulange é emblemático. Um dos prefeitos mais críticos ao Palácio Araguaia nos últimos anos, ele chegou a confrontar publicamente Wanderlei quando o governador estimulava a pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres (Republicanos), ao governo. Na época, Auri foi taxativo ao afirmar que jamais apoiaria Amélio e que votaria “até em um poste”, mas não no deputado.
Auri sempre deixou claro que seu compromisso político era com o senador Eduardo Gomes (PL) e com a senadora Dorinha.
A ironia do atual cenário é que, agora, é o próprio Wanderlei quem passou a adotar esse discurso. Em encontro recentes, o governador chegou a se referir a Dorinha como “futura governadora” e se colocado como articulador de sua candidatura. Em uma fala que repercutiu nos bastidores, ao reafirmar que não sairá para disputar o Senado, disse: “Sou candidato a ajudar a Dorinha, a ajudar o Gaguim, a ajudar o Amélio, ajudar o Eduardo Gomes, ajudar meus deputados”.
O pano de fundo desse realinhamento é a consolidação de uma engenharia política que prevê Dorinha na cabeça de chapa ao governo, Eduardo Gomes buscando a reeleição ao Senado pelo PL e Carlos Gaguim ocupando a segunda vaga de senador pelo Republicanos - movimento que pressupõe a saída de Gaguim do União Brasil.
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Essa composição ganhou força após o afastamento de Wanderlei em 2025, no âmbito da Operação Fames-19, quando houve a aproximação do governador com o grupo de Dorinha. A hipótese de renúncia para disputar o Senado foi praticamente descartada, já que deixar o governo nas mãos de Laurez Moreira (PSD), pré-candidato ao governo e com quem mantém forte desgaste político, deixou de ser opção. A tentativa de costura com o vice, inclusive por meio de uma possível indicação ao Tribunal de Contas do Estado, também fracassou, aprofundando o distanciamento entre os dois.
Sem espaço para um acordo com Laurez e sem viabilidade pessoal para disputar o Senado, Wanderlei passou a investir na consolidação de um bloco majoritário alternativo - e encontrou em Dorinha e no União Brasil o eixo mais sólido para preservar influência política no pós-2026.
A vaga de vice-governador, hoje, tornou-se o principal ponto de disputa interna e tende a ficar com o Republicanos.
A sucessão estadual no Tocantins, assim, caminha para um desenho cada vez mais claro: Wanderlei deixa de ser apenas um ator institucional e passa a operar como fiador político do projeto de Dorinha. O gesto simboliza mais do que retórica - revela quem, de fato, o governador escolheu para herdar o Palácio Araguaia.