Metralhadora na cabeça

Advogado teria sido ameaçado e xingado por policiais civis com arma na cabeça; OAB apura caso

Por Agnaldo Araujo
Comentários (0)

23/06/2017 14h27 - Atualizado há 1 semana
A OAB Tocantins afirmou que o advogado Alexandre Nunes Cachoeira foi ameaçado, xingado e revistado sem qualquer justificativa por uma dupla de policiais civis em um restaurante enquanto atendia um cliente. O caso ocorreu em Paranã, no Sul do Tocantins, na noite da quarta-feira (21). O cliente teria audiência na tarde desta quinta-feira (22). As informações foram divulgadas pela Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins. No dia seguinte à suposta agressão, a Procuradoria de Defesa das Prerrogativas da OAB-TO disse que se mobilizou contra o que a entidade chamou de "flagrante violação de prerrogativas funcionais do advogado". Ao tomar conhecimento do incidente, uma comitiva da Ordem, liderada pela vice-presidente da instituição, Lucélia Sabino, e pelo procurador de Prerrogativas, Rafael Martins, foi até a Paranã para exigir providências da Polícia Civil e comunicar o fato oficialmente ao juiz da Comarca da cidade. Conforme o relato do advogado no registro de ocorrência policial e também no registro de violação de prerrogativa funcional feito à OAB, a dupla de policiais era comandada por Ueliton Gualberto Pereira, conhecido na cidade como "Cabo Velho". "O reclamado (policial Ueliton) não se identificou como policial e não tinha prévio motivo para o ato (a abordagem violenta). O reclamante (o advogado Alexandre Cachoeira) passou a ser humilhado e após se identificar como advogado, as humilhações e xingamentos se intensificaram. A todo momento o reclamado com uma arma em punho, de grosso calibre (metralhadora), apontando-a à cabeça do cliente", ressaltou o texto do registro feito na OAB. O advogado contou que também teve a metralhadora apontada para a sua cabeça enquanto recebia o 'baculejo'. A ação foi feita na frente de outros clientes do restaurante e dos proprietários do estabelecimento. Os policiais estavam à paisana e em um veículo Gol, de cor prata, sem identificação da polícia. Motivo Conforme a OAB, o motivo da postura de "Cabo Velho" seria uma raiva pessoal devido a uma desavença com o cliente do advogado. “É um absurdo que agentes públicos que deveriam proteger a sociedade cometam ilegalidades desse nível. A OAB-TO não vai medir esforços para que o caso seja completamente apurado e, se for o caso, o autor receba a merecida punição”, destacou Lucélia Sabino. O procurador Rafael Martins destacou que a OAB não medirá esforços para que não ocorra qualquer violação das prerrogativas no Estado. “Não há negociação nesse ponto. Desrespeito a prerrogativa é desrespeito ao Estado Democrático de Direito e nós da Procuradoria de Prerrogativa seremos intransigentes na defesa daquilo que é essencial para a advocacia poder trabalhar”, destacou. Roteiro Após ser informada sobre o caso,  no início da madrugada de quinta-feira, a equipe da OAB-TO disse que entrou em contato com o profissional ameaçado e checou sua situação. Após constatar que Alexandre Cachoeira não corria mais riscos, a equipe chegou em Paranã às 7h40 da manhã desta quinta (22) para encontrar o advogado pessoalmente. Ao mesmo tempo em que atuava em Paranã, a vice-presidente da OAB contatou o diretor da Polícia Civil, em Palmas, para relatar o caso. Depois, o assunto foi levado ao juiz da Comarca de Paranã, Márcio Soares Cunha. O magistrado entendeu a gravidade do fato e aceitou adiar audiência do cliente de Alexandre Cachoeira marcada para a tarde desta quinta-feira. Por causa da gravidade do caso, o delegado da cidade e sua escrivã foram até o Fórum para colher os depoimentos do advogado e do seu cliente, sem a necessidade da equipe da Ordem ir até a delegacia. As oitivas ocorreram no gabinete do magistrado, que emprestou sua sala. Paralelamente aos depoimentos na Polícia Civil, que podem compor eventual ação criminal, a Ordem disse que vai oficiar a Secretaria de Segurança Pública para cobrar providências administrativas urgentes das autoridades estaduais. O caso também foi cadastrado no sistema nacional da OAB que combate violação de prerrogativas. Susto Além do constrangimento e da humilhação, o advogado Alexandre Cachoeira relatou que enfrentou um susto na noite de quarta-feira (21), pouco depois do incidente no restaurante. O carro do profissional foi arrombado enquanto ela estava no hotel e, embora o seu notebook e seus celulares estivessem em cima do banco do veículo, a única coisa furtada foi um termo e um par de sapatos. Réu Ainda conforme a OAB, o policial envolvido no caso é réu em uma ação penal por homicídio qualificado. O processo tramita na 1ª Escrivania Criminal de Ananás e tem o número 5000150-93.2009.827.2703. Protocolado pelo Ministério Público Estadual em julho de 2014, a ação está conclusa para julgamento desde julho do ano passado. O processo deve ser julgado pelo Tribunal do Júri.

Comentários (0)

Mais Notícias

Região norte

Polícia Civil prende principal suspeito de matar idoso a facadas em Xambioá

O idoso foi morto no dia 21 de julho e o suspeito tinha fugido para a cidade de São Geraldo do Araguaia, no Pará.

Acidente fatal

Mulher morre em colisão entre motocicleta e carro no centro de Araguaína

O acidente ocorreu na esquina da Avenida Castelo Branco com a rua Rui Barbosa. A mulher morreu na hora.

Em Araguaína

Em vídeo, mulher desmente boato que viralizou nas redes sociais em Araguaína

Um áudio afirmava que a mulher simulava pedir esmola para dois homens armados assaltar os moradores.

Crime bárbaro

Acusado de matar homem e comer fígado assado é condenado a 12 anos em Palmas

O crime ocorreu em agosto de 2011, na Colônia de Pescadores do Setor Taquari, nas proximidades do Lago de Palmas.

Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

(63) 3415-2769
Nas Redes
Nosso Whatsapp
063 9 9242-8694
Nosso Email
redacao@arnaldofilho.com.br
Copyright © 2011 - 2018 AF Notícias. Todos os direitos reservados.