Vítima passou a sofrer ameaças após cobrança com juros superiores a 100%.
Notícias de Palmas – Juros de 100% e ameaças: a Polícia Civil do Tocantins deflagrou operação nesta sexta-feira (20) contra um homem de 25 anos investigado por agiotagem e extorsão em Palmas. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC – Palmas). O investigado, identificado pelas iniciais L. V. S. S., seria assessor de um vereador da Capital.
Segundo a investigação, a vítima contratou, em 26 de maio de 2025, um empréstimo de R$ 6 mil. O acordo, porém, previa juros superiores a 100%, elevando a cobrança para R$ 12 mil em apenas um mês. Apesar do valor formalizado, a vítima afirma ter recebido somente R$ 5.250 — parte do montante teria sido retida — e já pagou R$ 7.400, quantia superior ao que efetivamente entrou em sua conta.
Mesmo assim, as cobranças teriam se intensificado. Conforme o relato, o investigado passou a ameaçar enviar cobradores à residência da vítima e advertiu que o tratamento seria “diferente” caso o valor não fosse quitado. Em julho, as intimidações evoluíram para ameaça de retirada de bens por terceiros e fixação de prazo até 31 de dezembro de 2025 para pagamento, sob o argumento de que, se não houvesse quitação, os valores já pagos seriam considerados apenas juros, mantendo-se a dívida principal.
A vítima também relatou ter recebido fotografias de sua própria residência, o que indicaria monitoramento de sua rotina e de familiares — fator que agravou o temor e levou ao registro formal da denúncia. Conversas e comprovantes de depósito apresentados embasaram a instauração do inquérito.
Durante o cumprimento do mandado, a Justiça determinou medidas cautelares diversas da prisão, incluindo a proibição de contato e aproximação da vítima.
De acordo com o delegado-chefe da unidade especializada, Wanderson Queiroz, a atuação policial foi fundamentada na gravidade das ameaças e na necessidade de interromper a prática criminosa. “Os elementos reunidos demonstram a imposição de grave ameaça para obtenção de vantagem econômica indevida. As medidas cautelares são essenciais para resguardar a vítima e garantir o andamento das apurações”, afirmou.