Caso Delvânia

Cabo de rodo como arma, fuga e prisão: veja o que se sabe sobre a agressão brutal de Delvânia

Gilman Rodrigues da Silva (PL) foi preso preventivamente. Vítima segue internada.

Por Auro Giuliano | Conteúdo AF Notícias 2.206
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06/04/2025 10h40 - Atualizado há 1 ano
Delvânia Campelo segue internada em estado grave no HGP

Notícias do Tocantins - O ex-vice-prefeito de Caseara (TO), Gilman Rodrigues da Silva, de 47 anos, foi preso nesta quinta-feira (3) acusado de agredir brutalmente sua namorada, Delvânia Campelo, de 50 anos, com um cabo de rodo. O crime ocorreu no sábado (22/3) em uma chácara na zona rural do município, onde a vítima sofreu múltiplos golpes na cabeça.

O caso ganhou repercussão após Delvânia pedir socorro em um grupo de WhatsApp, enquanto era agredida. Gilman fugiu do local e só se apresentou à polícia dias depois, alegando legítima defesa. A Justiça deferiu sua prisão preventiva após análise das contradições em seu depoimento e do histórico de violência.

Agressão brutal e fuga do acusado

De acordo com o delegado José Lucas Melo, responsável pelo caso, o crime aconteceu após uma discussão motivada por ciúmes. Gilman desferiu vários golpes com um cabo de rodo na cabeça de Delvânia, com tanta força que o objeto chegou a quebrar. Ele também teria usado uma machadinha.

Após a vítima desfalecer, o ex-vice-prefeito fugiu do local e se dirigiu a Palmas, onde se escondeu com ajuda de familiares. Ele só se apresentou à polícia na terça-feira (25/3), acompanhado de um advogado, quando já não estava mais em situação de flagrante.

Pedido de socorro em grupo de WhatsApp

Durante a agressão, Delvânia enviou mensagens e áudios em um grupo de WhatsApp com moradores de Caseara, gritando por ajuda:

"Socorro! O Gilman tá me agredindo!"

Ela também compartilhou uma foto da mão lesionada, comprovando a violência. No entanto, o acusado também mandou áudios no mesmo grupo, dizendo que "nada estava acontecendo" e que Delvânia estava "descontrolada".

Segundo o delegado, essa atitude atrasou o socorro, pois muitas pessoas acreditaram na versão de Gilman. A vítima só foi encontrada depois por um caseiro da propriedade, que a viu desacordada e chamou a polícia.

Foto: Divulgação

Agressor alegou legítima defesa, mas polícia encontrou inconsistências

Ao se apresentar na delegacia, antes de ser liberado, Gilman alegou que agiu em legítima defesa, afirmando que Delvânia o atacou primeiro com o cabo de rodo e que ele apenas revidou. Ele mostrou pequenos ferimentos nos braços, que, para o delegado, são comuns em situações de defesa.

A polícia identificou outras inconsistências no relato do ex-vice-prefeito:

  • Foram múltiplos golpes na cabeça, incluindo na nuca, o que indica excesso de força;

  • Um laudo médico atestou que o primeiro golpe já seria suficiente para deixar a vítima inconsciente;

  • Ele fugiu e não acionou socorro, comportamento incompatível com quem alega defesa;

  • Apagou mensagens do grupo e tentou acalmar testemunhas. Atitude que contribuiu para demora no socorro à vítima.

Histórico de violência contra mulheres

A investigação revelou que não foi a primeira vez que Gilman agrediu uma companheira:

  • Em janeiro deste ano, durante uma viagem ao Maranhão, houve relatos de agressão, mas não foi registrado boletim de ocorrência;

  • Em 2024, sua ex-esposa registrou um boletim de ocorrência por violência doméstica em Palmas.

Esses antecedentes contribuíram para a decisão da Justiça pela prisão preventiva.

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Vítima segue internada em estado grave

Delvânia foi levada ao Hospital Geral de Palmas (HGP), onde permanece internada em estado grave. Ela apresentava múltiplos ferimentos na cabeça, fraturas e lacerações profundas.

Familiares organizaram um ato para pedir justiça. "Não podemos permitir que isso vire estatística", disse Maria dos Anjos, irmã de Delvânia.

Delegado José Lucas Melo - Foto: Auro Giuliano

Por que o agressor não foi preso antes?

O delegado explicou que, pela legislação brasileira, a prisão só poderia ter sido feita em flagrante ou com ordem judicial. Como Gilman fugiu e só se apresentou dias depois, foi necessário aguardar a decisão da Justiça para efetivar a prisão.

Agora, ele responde por tentativa de feminicídio, crime que pode levar a uma pena de até 40 anos de prisão.

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