Victor Yan de Sousa Silva e Paulo Ricardo da Silva foram mortos a tiros em março deste ano.
Notícias de Araguaína - O Ministério Público do Tocantins (MPTO) denunciou criminalmente cinco homens acusados de planejar e executar uma emboscada que terminou com o assassinato dos trabalhadores rurais Victor Yan de Sousa Silva, de 27 anos, e Paulo Ricardo da Silva, de 26. O crime ocorreu em 27 de março desse ano, na região do Coco Salviano, zona rural de Araguaína.
Segundo a denúncia, as vítimas foram surpreendidas por homens armados, rendidas e mortas a tiros quando chegavam a uma propriedade rural para realizar um serviço. Os corpos foram encontrados ao lado da caminhonete em que elas estavam, próximo à entrada do imóvel.
Para o MPTO, o duplo homicídio foi motivado por conflitos envolvendo a posse da área rural. Os cinco denunciados são acusados de dois homicídios duplamente qualificados, por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.
A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Daniel José de Oliveira Almeida.
Trabalhadores foram rendidos ao chegar à fazenda
Conforme as investigações, Victor Yan trabalhava para o proprietário do imóvel rural, enquanto Paulo Ricardo prestava serviços na propriedade. Na manhã do crime, os dois seguiam em uma caminhonete até a sede da fazenda para consertar e instalar uma bomba d’água.
De acordo com a acusação, homens armados aguardavam a chegada das vítimas. Victor e Paulo teriam sido surpreendidos, rendidos e colocados em uma situação que impossibilitou qualquer tentativa de defesa.
Os indícios reunidos durante a investigação também apontam que duas armas diferentes podem ter sido utilizadas no crime.
MPTO atribui execução, planejamento e apoio aos denunciados
A denúncia descreve diferentes formas de participação dos cinco acusados. Segundo o Ministério Público, dois deles teriam efetuado os disparos que mataram os trabalhadores.
Aos outros três, o MPTO atribui participação no planejamento e no apoio à execução. Entre as condutas mencionadas estão o acompanhamento da ação criminosa, o fornecimento dos veículos usados no deslocamento e a instigação dos homens apontados como executores.
Durante as investigações, três suspeitos foram presos temporariamente: Mauro Batista da Silva, Manoel Paladim Sampaio e Welington Alves de Santana. Os mandados foram cumpridos pela Polícia Civil em junho deste ano.
Na ocasião, o delegado Adriano Carvalho informou que a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) iniciou as apurações imediatamente após a localização dos corpos.
Em uma das primeiras operações, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Armas de fogo e aparelhos celulares foram recolhidos e submetidos à análise.
Segundo a Polícia Civil, o material apreendido e os demais elementos levantados ao longo da investigação ajudaram a fundamentar os pedidos de prisão e a esclarecer a possível participação de cada suspeito.
Disputa pela terra é apontada como motivação
Desde o início das investigações, a principal linha apurada relaciona o assassinato dos trabalhadores a conflitos agrários na região do Coco Salviano.
A Polícia Civil identificou disputas envolvendo a ocupação da propriedade onde Victor e Paulo trabalhavam, além de embates anteriores relacionados a medidas de desocupação da área.
A Polícia Militar também informou que a região possuía histórico de conflitos pela posse da terra e registros de ameaças.
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Com o oferecimento da denúncia, caberá ao Poder Judiciário decidir se recebe a acusação e instaura a ação penal contra os cinco homens.
Os denunciados terão direito à ampla defesa e ao contraditório. Eles devem ser considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
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