Miracema do Tocantins

Comandantes da PM presos em operação sobre chacina são afastados de funções de confiança

Wallas e Wilquer estão entre os 23 policiais presos preventivamente.

Por Redação | AF Notícias 1.021
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14/05/2026 08h46 - Atualizado há 4 semanas
Investigados são suspeitos de participação em uma série de execuções

Notícias do Tocantins - Mais dois oficiais da Polícia Militar foram afastados de funções de confiança após serem presos na operação que investiga a chacina de Miracema do Tocantins, ocorrida em 2022 e que resultou em sete mortes. As dispensas dos majores Wallas de Sousa Melo e Wilquer Barbosa de Sousa foram publicadas no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (12). Ambos estão entre os 23 policiais militares presos preventivamente por decisão da Justiça.

Os novos afastamentos se somam ao do tenente-coronel Douglas Luiz da Silva, ajudante de ordens do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), que já havia sido retirado da função logo após a deflagração da operação. A medida atende às determinações judiciais impostas no âmbito da investigação conduzida pela Polícia Civil e acompanhada pelo Ministério Público do Estado.

Wallas era comandante de Batalhão do CPC (Comando de Policiamento da Capital) e Wilquer, comandante da Companhia Independente de Polícia Militar- (do CPR - Comando Regional de Policiamento).

Uso da estrutura do Estado

Segundo decisão do colegiado da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins, os investigados são suspeitos de participação em uma série de execuções ocorridas em fevereiro de 2022, supostamente motivadas por represália à morte do policial militar Anamon Rodrigues de Sousa.

A investigação aponta que o grupo teria utilizado a estrutura do Estado, incluindo viaturas, armamentos e sistemas de comunicação da corporação, para monitorar, sequestrar e executar as vítimas.

De acordo com a Polícia Civil, o major Wallas teria atuado em um ponto estratégico para orientar a fuga dos executores após os assassinatos. Já o major Wilquer é investigado por suposta manipulação de registros de GPS de viaturas e por alinhamento de versões entre militares para ocultar os deslocamentos realizados durante os crimes.

Além deles, também são investigados os oficiais Yurg Noleto Coelho e Gleiston Ribeiro Pereira, que seguem presos preventivamente, mas ainda não tiveram o afastamento administrativo formalizado pelo governo estadual.

Medidas cautelares

A decisão judicial impôs uma série de medidas cautelares aos 23 presos, incluindo o afastamento imediato das funções públicas, a suspensão do porte e da posse de armas de fogo, a proibição de acesso a unidades policiais e o impedimento de contato com testemunhas, familiares das vítimas e investigadores.

Os magistrados entenderam que a liberdade dos investigados representa risco à instrução criminal, diante da possibilidade de intimidação de testemunhas e destruição de provas.

PM diz que acompanha o caso

Em nota, a Polícia Militar do Tocantins afirmou que não compactua com desvios de conduta e que colabora com as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A corporação informou ainda que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO.

A defesa dos investigados informou que aguarda acesso integral aos autos para se manifestar oficialmente.

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