Operação Jogo Limpo

Dez pessoas são indiciadas por desvio de recursos destinados a projetos sociais em Palmas

Esquema desviou mais de R$ 650 mil, segundo investigações da Polícia Civil.

Por Redação 623
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26/02/2026 10h45 - Atualizado há 2 semanas
Infográfico mostra como o esquema funcionava

Notícias de Palmas – A Divisão Especializada na Repressão à Corrupção (DECOR) concluiu o inquérito da Operação Jogo Limpo e indiciou 10 pessoas por suposto envolvimento em um esquema estruturado de desvio de recursos públicos destinados a projetos esportivos e recreativos em Palmas.

A investigação, conduzida pelo delegado Guilherme Rocha, aponta que o grupo teria atuado de forma organizada, com divisão de funções entre núcleos político-administrativos, operacionais e financeiros para viabilizar convênios que, segundo a apuração, existiam apenas no papel.

O caso analisado refere-se ao exercício de 2014 e identificou prejuízo direto ao erário de R$ 650.869,04, em valores atualizados. De acordo com a polícia, além do dano financeiro, houve impacto social relevante, já que os recursos deveriam ter sido aplicados em ações voltadas a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, especialmente em programas de prevenção ao uso de drogas.

Segundo a apuração, não houve execução real dos projetos. Os valores eram sacados integralmente após o repasse e distribuídos entre os integrantes do grupo, incluindo agentes públicos, operadores financeiros e terceiros, caracterizando, o que, em tese, configura práticas de peculato e lavagem de dinheiro.

Os 10 investigados foram indiciados pelos crimes de peculato (doloso e culposo), lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude em licitações e contratos e associação criminosa. Entre eles estão ex-gestores da fundação pública responsável pelos repasses, dirigentes da entidade beneficiada, operadores financeiros e um ex-agente político apontado como possível beneficiário direto dos valores desviados.

Como funcionava o esquema, segundo a investigação

O relatório final descreve um modelo de atuação considerado estruturado e estável. Entre as práticas apontadas estão:

  • Fraude processual, com criação de comissão fictícia de análise de projetos para dar aparência de legalidade aos convênios;

  • Tramitação acelerada e atípica dos processos, com liberação de valores elevados em poucos dias;

  • Uso de empresas de fachada, responsáveis pela emissão de notas fiscais ideologicamente falsas e simulação de fornecimento de bens e serviços;

  • Lavagem de dinheiro, com saque integral dos valores no mesmo dia do crédito e posterior pulverização em contas de agentes públicos, operadores financeiros e terceiros.

“A conclusão deste inquérito evidencia um esquema estruturado e sofisticado de desvio de recursos públicos, no qual valores que deveriam beneficiar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade foram indevidamente apropriados. A Polícia Civil atuou com rigor técnico para identificar todos os envolvidos e individualizar as condutas, reafirmando nosso compromisso permanente com o combate à corrupção e a defesa do interesse público”, destacou o delegado.

A Operação Jogo Limpo segue em andamento, com outros desdobramentos sob apuração.

Ao todo, 10 pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil

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