"Eu prefiro vê-la morta"

Ex-marido que atacou mulher enquanto amamentava bebê é condenado pelo júri popular

Crime ocorreu em 21 de fevereiro de 2016, na zona rural de Tocantinópolis.

Por Redação
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11/11/2025 10h00 - Atualizado há 3 semanas
Cidade de Tocantinópolis

Notícias do Tocantins - O Tribunal do Júri condenou Vanilson Alves dos Santos a 12 anos, um mês e seis dias de reclusão, em regime fechado, pela tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira. O crime chocante, cometido na frente da filha recém-nascida da vítima, revelou um ato de extrema frieza e crueldade.

A sentença foi proferida após julgamento realizado no dia 4 de novembro na Comarca de Tocantinópolis, e a acusação foi sustentada pelo promotor de Justiça Charles Miranda Santos, do Ministério Público do Tocantins (MPTO).

Os jurados acataram integralmente as teses do MPTO, reconhecendo que o crime foi praticado por razões da condição de sexo feminino (feminicídio) e com recurso que dificultou a defesa da vítima. Além da pena de prisão, o réu foi condenado a indenizar a vítima em R$ 50 mil por danos morais. A Justiça também negou o direito de recorrer em liberdade, mantendo a prisão preventiva para garantir a aplicação da pena.

Crime premeditado e cruel

De acordo com a denúncia do MPTO, o crime aconteceu em 21 de fevereiro de 2016, em um povoado da zona rural de Tocantinópolis. Inconformado com o fim do relacionamento, Vanilson — que tinha um filho com a vítima — já havia a ameaçado, dizendo que “preferia vê-la morta a vê-la com outro homem”.

Na madrugada do ataque, o réu amolou uma faca, alegando que iria descascar uma laranja, e esperou que a vítima adormecesse em uma rede enquanto amamentava sua bebê. Com frieza, ele se aproximou e acertou uma pancada na cabeça da mulher com um pedaço de pau, derrubando-a da rede. Em seguida, passou a desferir diversos golpes de faca, exigindo que ela lhe entregasse a criança “para matá-la”.

A vítima, em desespero, protegeu a filha com o próprio corpo, sendo atingida por múltiplos ferimentos. Mesmo gravemente ferida, conseguiu escapar correndo. O agressor, no entanto, a perseguiu de motocicleta, tentando atropelá-la, mas ela conseguiu refugiar-se na casa do pai e pedir socorro.

O laudo pericial comprovou sete lesões corporais e uma deformidade permanente causadas pelas agressões.

A decisão judicial reforça o entendimento de que crimes de gênero não serão tolerados e que a Justiça deve responder com rigor a tentativas de feminicídio praticadas com tamanha brutalidade.

Ainda cabe recurso da sentença.

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