Criminosos simulavam vendas on-line usando uma empresa de fachada.
Notícias de Araguaína - Um esquema milionário de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro, que causou prejuízos estimados em mais de R$ 1 milhão a uma instituição de pagamentos, foi desarticulado nesta quinta-feira (05/02) durante a Operação Cartão Oculto, deflagrada pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC – Araguaína).
Os investigadores descobriram que o grupo criminoso operava com uma empresa de fachada, criada exclusivamente para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas, e utilizava dados de cartões de crédito obtidos de forma ilegal para registrar vendas fictícias e solicitar antecipação de valores, liberando o dinheiro antes que a fraude fosse identificada.
Com os recursos creditados, o montante era rapidamente transferido para contas de terceiros em diferentes estados, utilizadas como “laranjas”, dificultando o rastreamento e a recuperação do dinheiro. O esquema seguia quatro etapas principais: obtenção ilegal de dados por meio de páginas falsas e redes clandestinas (“phishing”); registro de vendas fictícias online sem a presença do cartão; solicitação de antecipação dos valores a receber; e dispersão fracionada do dinheiro em contas de terceiros para ocultar sua origem ilícita.
A operação cumpre cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Araguaína (TO), Divinópolis (MG), Ribeirão Preto (SP) e Nova Iguaçu (RJ). Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros nas contas dos investigados até o limite do valor desviado.
As apurações tiveram início após denúncia da empresa vítima, que identificou movimentações atípicas e um volume elevado de transações suspeitas. A partir da análise técnica e do rastreamento financeiro, os policiais constataram a existência de um esquema estruturado para aplicar golpes por meio de operações eletrônicas simuladas.
Conforme apurado, o grupo seria liderado por um morador de Araguaína, responsável por criar e manter uma empresa de fachada, utilizada exclusivamente para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas.
De acordo com as investigações, os criminosos simulavam vendas que nunca aconteceram, induzindo a instituição de pagamentos a liberar valores indevidos. Para isso, utilizavam dados de cartões de crédito obtidos ilegalmente e registravam compras fictícias em nome da empresa de fachada.
Com as transações lançadas no sistema como se fossem reais, os investigados solicitavam a antecipação dos valores a receber, liberando o dinheiro quase imediatamente, antes que as fraudes fossem identificadas. Assim que os recursos eram creditados, o montante era rapidamente transferido para diversas contas de terceiros (“laranjas”) em diferentes estados, dificultando o rastreamento e a recuperação dos valores.
O esquema seguia quatro etapas principais:
Obtenção de dados: captura ilegal de informações de cartões por meio de páginas falsas na internet e compra de dados em redes clandestinas, na técnica conhecida como “phishing”;
Vendas fictícias: registro de compras inexistentes na modalidade online, sem a presença do cartão;
Liberação rápida dos valores: solicitação de antecipação dos recebíveis para sacar o dinheiro antes da contestação das vítimas;
Dispersão do dinheiro: transferência fracionada dos valores para contas de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita.
Função dos investigados
As diligências também apontaram a divisão de tarefas entre os integrantes da organização:
Araguaína (TO): principal articulador, responsável pelo registro da empresa de fachada e execução das transações;
Divinópolis (MG): coordenador técnico, encarregado da criação de páginas falsas e gerenciamento de contas fraudulentas;
Nova Iguaçu (RJ): operador com conhecimento tecnológico para burlar sistemas de verificação de identidade e captar dados de cartões;
Ribeirão Preto (SP): facilitadores financeiros, responsáveis por receber e pulverizar os valores desviados.
Apreensões
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram apreendidos celulares, computadores de alta performance, R$ 18 mil em espécie, além de documentos relacionados à fraude eletrônica, que serão submetidos à perícia para auxiliar na identificação de outros envolvidos e no aprofundamento das investigações.
Integração interestadual
O delegado responsável destacou a relevância da operação e o trabalho conjunto das equipes envolvidas: “Estamos desarticulando uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e atuação em diversos estados, responsável por fraudes de grande impacto financeiro. A integração entre as equipes policiais foi fundamental para o sucesso da operação e para o avanço das investigações”, ressaltou.
As investigações continuam com o objetivo de identificar outros participantes do esquema, responsabilizar os envolvidos e recuperar os valores desviados.