Justiça reconheceu crimes de tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro.
Notícias de Araguaína - Uma estrutura criminosa que movimentava o tráfico de drogas, o comércio ilegal de armas e a lavagem de dinheiro em Araguaína foi alvo de uma condenação com penas que, somadas, ultrapassam 82 anos de prisão.
Segundo as investigações, o grupo mantinha ligação com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e utilizava uma loja de armas para tentar dar aparência legal ao dinheiro obtido com atividades ilícitas.
A sentença foi proferida no último sábado (04/07), pela 2ª Vara Criminal de Araguaína. Seis réus foram condenados por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, comércio ilegal de armas e lavagem de capitais. A decisão ainda pode ser contestada por meio de recurso.
O caso foi investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Tocantins (MPTO).
Loja de armas teria sido usada para lavar dinheiro
De acordo com as apurações, a organização criminosa utilizava uma empresa denominada Complexo das Armas para ocultar e dissimular recursos provenientes do tráfico de drogas.
Conforme os elementos apresentados no processo, o estabelecimento funcionava como instrumento para inserir o dinheiro ilícito no sistema financeiro com aparência de receita obtida por meio de atividades comerciais regulares.
A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos acusados. Para o Gaeco, as operações bancárias faziam parte do mecanismo utilizado pelo grupo para lavar os valores arrecadados com os crimes.
Drogas eram negociadas por sistema chamado “DREX”
As apurações apontaram ainda a existência de um sistema estruturado de comercialização de drogas por meio de celulares, chamado de “DREX” pelos próprios integrantes.
Segundo a sentença, o grupo possuía divisão de tarefas, estrutura organizada e diferentes níveis de atuação. Os investigados também estariam envolvidos na negociação ilegal de armas e munições, além da distribuição de entorpecentes em Araguaína.
O Ministério Público afirmou que as condenações foram sustentadas por interceptações telefônicas, análises financeiras, extração de dados de celulares, documentos e materiais apreendidos durante a investigação.
Também foram localizados drogas, armas, munições e equipamentos supostamente utilizados na preparação e comercialização dos entorpecentes.
Condenações ultrapassam 82 anos
Hugo Sérgio Soares Rodrigues, apontado como o segundo integrante na hierarquia da organização, recebeu a maior pena: 26 anos e três meses de reclusão.
Guilherme da Silva foi condenado a 22 anos e um mês de prisão. Alisson Cassio Moura Barreto recebeu pena de 11 anos e um mês, enquanto Patrícia Soares de Oliveira foi condenada a dez anos e seis meses.
Breno Pereira da Silva recebeu pena de nove anos e seis meses de reclusão.
João Vítor Farias Sousa foi condenado a três anos e seis meses. A pena privativa de liberdade, entretanto, foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de prestação pecuniária, cujo valor será definido durante a execução penal.
Suposto líder será julgado separadamente
O processo envolvendo Joelson Barbosa Pereira Júnior, apontado nas investigações como líder da organização criminosa, foi desmembrado.
A separação ocorreu depois que a defesa solicitou a inclusão de novos documentos no processo. Com isso, o acusado será julgado posteriormente, em uma ação separada.
As condenações ainda não são definitivas, já que os réus podem recorrer da sentença.
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