Ministro destacou que lei presume necessidade de cuidados maternos.
Notícias de Araguaína – O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou, nesta quinta-feira (27/11), a substituição da prisão preventiva da influenciadora Maria Karollyny Campos Ferreira, a Karol Digital, por prisão domiciliar. A decisão, assinada pelo ministro Ribeiro Dantas, considerou que ela é mãe de uma criança menor de 12 anos e que a legislação presume a necessidade de cuidados maternos.
“Não havendo fundamentos concretos que afastem o art. 318-A do CPP, impõe-se a substituição da custódia por prisão domiciliar”, afirmou o ministro. Ele ressaltou, porém, que a medida não reduz a gravidade das suspeitas: “Os autos revelam condutas de significativa lesividade social, com indícios de organização criminosa e lavagem de dinheiro”.
O STJ negou os demais pedidos apresentados pela defesa, que alegava nulidades no processo e citava a suposta “legalização” dos jogos após a Lei 14.790/2023. “A exploração de jogos de azar por plataformas clandestinas permanece típica e depende de autorização estatal”, escreveu Ribeiro Dantas.
Movimentação de mais de R$ 200 milhões
Karol Digital está presa desde 22 de agosto, acusada de comandar um esquema que explorava jogos ilegais por meio de plataformas como Fortune Tiger e outros “jogos do tigre”. Segundo o STJ, entre 2022 e 2024 foram movimentados R$ 175,8 milhões em contas ligadas ao grupo. O Ministério Público aponta um valor ainda maior: R$ 217 milhões entre 2019 e 2025.
A decisão também menciona que a influenciadora recebeu R$ 6,2 milhões diretamente das plataformas, além de adquirir veículos e imóveis de luxo sem comprovação de origem. “Os elementos indicam padrão de vida incompatível com atividade lícita”, cita o documento.

Namorado permanece preso
O namorado da influenciadora, Dhemerson Rezende Costa, continuará em prisão preventiva. Para o STJ, sua liberdade representaria risco de “ocultação de bens, dissipação de provas e continuidade delitiva”.
A mãe de Karol, Maria Luzia Campos de Miranda, e o consultor financeiro Cristiano Arruda da Silva também são réus. O Ministério Público afirma que Maria Luzia participou da ocultação imobiliária e que Cristiano operava a estrutura financeira do grupo, criando uma holding para mascarar a origem dos valores.
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Esquema envolvia rede de influenciadores e bens de luxo
De acordo com o Ministério Público do Tocantins, Karol era o centro da operação, usando sua visibilidade nas redes para atrair apostadores. A Polícia Civil aponta que ela mantinha uma rede com cerca de 70 influenciadores para divulgar os jogos ilegais.
Na Operação Fraus, deflagrada em agosto, foram apreendidos sete veículos de luxo avaliados em mais de R$ 5,5 milhões - entre eles uma McLaren Artura (R$ 3,1 milhões), um Porsche (R$ 979 mil) e uma RAM 3500 (R$ 475 mil). Sete imóveis também foram bloqueados, seis em Araguaína e um em Babaçulândia.
Um dos imóveis ficou nacionalmente conhecido como a “Mansão da Digital”, usada para gravar um reality show com 27 participantes semanas antes da prisão.
Domiciliar com monitoramento e restrições
O ministro Ribeiro Dantas autorizou que o juízo de Araguaína defina condições como monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar integral e proibição de contato com outros investigados. Segundo ele, as medidas “compatibilizam a proteção da criança com a continuidade da persecução penal”.
O STJ já comunicou o Tribunal de Justiça do Tocantins e a 1ª Vara Criminal de Araguaína para o cumprimento imediato da decisão.