Polícia Civil

Megaoperação prende 14 membros de facção criminosa que espalha terror em Araguaína

As principais lideranças, os chamados ‘Gerais’, foram presas na operação.

Por Redação 5.271
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14/01/2021 09h59 - Atualizado há 1 semana
9 foram presos só em Araguaína

Dezenas de policiais civis estão nas ruas das cidades de Araguaína, Palmas e Guaraí desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (14) para cumprimento de 15 mandados de prisão preventiva, além de 32 mandados de busca e apreensão em locais utilizados por suspeitos de crimes diversos.

Denominada de 'Guerra do Peloponeso', a operação tem o objetivo de desarticular a célula de organização criminosa atuante em Araguaína, a qual é responsável por tornar a cidade uma das mais violentas do Estado em decorrência da guerra travada com a facção criminosa inimiga em busca da tomada de território no município.

Os investigadores, após quase um ano de trabalho, conseguiram identificar os principais membros do bando encarregados de coordenar e executar os ataques contra a vida de integrantes do grupo criminoso rival.

Suporte do Estado de São Paulo

As investigações apontaram ainda que lideranças paulistas da cidade de São Paulo, município onde fica sediada a cúpula nacional da organização, foram recrutadas para orientar os membros tocantinenses no sentido de melhorar a captação de recursos financeiros para aquisição de armas de fogo, e, com isso, tornar-se cada vez mais forte na guerra com a facção rival. Para tanto, a ordem emanada era para que os criminosos recolhessem uma contribuição mensal para aquisição e manutenção do equipamento bélico.

As investigações apontaram também que os criminosos tinham acesso à frequência de rádio da Polícia Militar. Com isso, os bandidos conseguiam obter informações privilegiadas acerca de operações policiais que seriam deflagradas na cidade e, desse modo, esquivar-se das investidas nos principais pontos de venda de droga da cidade 

Um dos presos na operação, capturado em São Luís (MA), é também investigado por fazer parte de um grupo de extermínio e que, de acordo com os levantamentos da Polícia Civil, seria o autor de pelo menos 2 homicídios.  

Prisões

As principais lideranças atuantes no Tocantins, os chamados ‘Gerais’, foram presos na operação desta quinta-feira, ou seja, os suspeitos de articular os homicídios foram capturados.

Cita-se, dentre as figuras de maior envergadura, a prisão do Geral do Estado, Geral do Progresso, Geral de Araguaína, Geral de São Luís do Maranhão, Geral de Redenção-PA, entre outras

O cumprimento dos mandados de prisões preventivas resultou na captura de 14 presos no total, sendo nove, em Araguaína, 3 em Palmas, 1 na cidade de Guaraí e 1 na cidade de São Luís (MA).

Todos eles respondem pelo crime de associação criminosa e, após os procedimentos legais cabíveis, foram recolhidos a Unidade Penal Barra da Grota, Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP) e Casa de Prisão Provisória de Guaraí, onde permanecerão à disposição da justiça.

Além das ações nos três municípios do Tocantins e também no Maranhão, em apoio a operação ‘Guerra do Peloponeso’, a Polícia Civil fez buscas na Unidade Penal Barra da Grota, em Araguaína, e também na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP). Como resultados das buscas foram encontradas e recolhidas várias anotações e números de contas bancárias supostamente de membros da facção criminosa.

Êxito

Para o delegado Eduardo de Menezes, a operação foi muito exitosa, uma vez que os objetivos propostos foram alcançados, ou seja, todos os alvos considerados os articuladores de homicídios e outros crimes foram capturados.

“A ação ocorreu conforme o planejado e conseguimos efetuar a captura desses indivíduos de alta periculosidade e que são os responsáveis por espalhar terror em Araguaína, e também em outras cidades do Tocantins e estados vizinhos. Agora, as investigações terão continuidade a fim de que a Polícia Civil do Tocantins possa apurar a extensão dos crimes por eles cometidos”, ponderou a autoridade policial.

O delegado menciona também que, através das investigações, a Polícia Civil descobriu que os faccionados do Tocantins tiveram grande apoio da cúpula da facção diretamente do Estado de São Paulo, no sentido de recrutar e orientar os membros do Tocantins sobre a conduta a ser adotada.

“Eles tiveram orientações e treinamento sobre como, por exemplo, arrecadar dinheiro entre eles para comprar armamento que seria usado no cometimento dos crimes de homicídios”, ressalta a autoridade policial.

O delegado destaca também o nível de periculosidade dos investigados presos pela nesta quinta-feira. “Para se ter uma ideia do perfil dos indivíduos, apenas um deles é suspeito de integrar um grupo de extermínio que atua em São Luís do Maranhão e já teria sido responsável por cometer 12 homicídios naquela cidade”, enfatizou o delegado.

‘Guerra do Peloponeso’

A operação deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira foi batizada de ‘Guerra do Peloponeso’ em alusão à guerra civil travada entre as cidades-estados de Esparta e Atenas e ocorreu na Grécia Antiga entre os anos de 431 e 404 Antes de Cristo e acabou depois de 27 anos de combates com vitória de Esparta.

O objetivo dessa guerra era eliminar o máximo de oponentes rivais quanto possível, situação idêntica à que se desenrola entre os integrantes das duas principais facções criminosas que atuam em Araguaína e demais cidades do Estado. 

Criminosos tinham acesso à frequência de rádio da PM
Investigadores conseguiram identificar os principais membros do bando

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