Em Palmas

Operação Fluxo Oculto bloqueia R$ 2,5 milhões de investigados por fraude no agronegócio

Montante também teria sido movimentado por duas empresas ligadas aos investigados.

Por Redação
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27/02/2026 16h55 - Atualizado há 2 semanas
Polícia descobriu esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de capitais.

Notícias de Palmas - Cerca de R$ 2,5 milhões movimentados entre investigados e empresas suspeitas de integrar um suposto esquema milionário foram bloqueados pela Justiça durante novos desdobramentos da Operação Fluxo Oculto, conduzida pela Polícia Civil do Tocantins. A atualização foi divulgada nesta sexta-feira (27/02) pela 1ª Divisão Especializada de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DEIC – Palmas).

De acordo com o delegado Wanderson Queiróz, a investigação apura crimes de falsificação de documento particular, estelionato e lavagem de capitais. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Palmas e também em Balsas.

Na Capital, as diligências tiveram como alvos um ex-representante comercial, de 35 anos, e uma advogada, de 30. Durante as buscas, foram apreendidos veículos e documentos considerados relevantes para o aprofundamento das investigações.

O inquérito teve início após representantes de uma empresa do ramo do agronegócio relatarem a existência de negociações e contratos supostamente firmados em nome da companhia, mas sem respaldo legal. As transações teriam gerado prejuízos financeiros expressivos.

Nesta nova etapa, os investigadores identificaram a movimentação de R$ 2.519.953,22 atribuída a dois investigados e a duas empresas ligadas a eles. Com base nos indícios levantados, a Polícia Civil representou ao Poder Judiciário pelo bloqueio do montante, medida autorizada para permitir a apuração da origem e do destino dos recursos.

Segundo o delegado, também surgiram indícios de aquisição de bens de alto valor, como veículos e imóveis, possivelmente com uso de mecanismos para ocultação ou dissimulação de patrimônio — prática que pode caracterizar lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil informou que o bloqueio dos valores é considerado estratégico para evitar a dissipação de recursos e aprofundar a análise financeira do grupo. As investigações continuam e, conforme a autoridade policial, não está descartada a identificação de novos envolvidos ou de valores ainda superiores aos já apurados.

Entenda o caso

A Operação Fluxo Oculto foi deflagrada na quinta-feira (26) e tem como foco um suposto esquema estruturado pelo ex-representante comercial e pela advogada investigados.

As apurações começaram após uma indústria do agronegócio, com atuação no mercado de commodities agrícolas, denunciar a existência de negociações e contratos supostamente firmados em seu nome sem autorização. Os documentos teriam viabilizado operações comerciais e financeiras que resultaram em pagamentos indevidos e prejuízo estimado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Segundo a investigação, o ex-representante comercial mantinha contato direto com produtores rurais e intermediava negociações. Há indícios de que ele teria articulado contratos com assinaturas não reconhecidas e utilizado comunicações eletrônicas simuladas para conferir aparência de legitimidade às tratativas.

A advogada é investigada por possível participação na formalização dos instrumentos contratuais e na estrutura financeira que teria permitido a circulação dos valores. Entre os documentos analisados estão contrato de compra e venda de soja com suspeita de falsificação e instrumentos de cessão de crédito que teriam facilitado o desvio de recursos.

As apurações indicam ainda que empresas privadas figuram como destinatárias dos valores, incluindo pessoa jurídica com ligação direta com uma das investigadas. Também foram identificadas movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada e aquisição de bens de alto valor, que podem ter sido utilizados para ocultação patrimonial.

Em Balsas, as equipes cumpriram mandado em endereço vinculado a empresa citada na investigação, onde recolheram documentos, dispositivos eletrônicos e um veículo de menor porte.

Todo o material apreendido será submetido à perícia técnica para rastrear o fluxo financeiro e esclarecer o grau de participação de cada investigado. A Polícia Civil não descarta o envolvimento de outras pessoas nem a possibilidade de que o prejuízo seja superior ao inicialmente identificado. Após a conclusão das diligências, o inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário.

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