AUGUSTINÓPOLIS

Polícia investiga morte de idosa que teria recebido sangue incompatível em hospital do Tocantins

Família denuncia possível incompatibilidade sanguínea e demora no socorro.

Por Redação | AF Notícias
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26/05/2026 10h35 - Atualizado há 2 meses
Moradora de Sítio Novo do Tocantins, Iraci Borges, de 78 anos, foi a óbito em 15 de abril

Notícias do Tocantins - A morte da dona de casa Iraci Borges dos Santos, de 78 anos, após uma transfusão de sangue considerada suspeita no Hospital Regional de Augustinópolis (HRAug), no Bico do Papagaio, passou a ser investigada pela Polícia Civil do Tocantins.

O caso ocorreu em abril deste ano e envolve denúncias da família sobre possível incompatibilidade sanguínea, demora no atendimento e falhas durante o socorro prestado à paciente.

Moradora de Sítio Novo do Tocantins, Iraci estava internada desde o dia 28 de março no hospital regional para tratamento de pneumonia e cardiopatia. Segundo familiares, ela apresentava melhora clínica antes da realização da transfusão, ocorrida em 15 de abril.

Família suspeita de incompatibilidade sanguínea

De acordo com relatos da filha da vítima, a autônoma Iara Borges dos Santos, uma enfermeira iniciou o procedimento por volta do meio-dia, após coleta de sangue para tipagem realizada horas antes.

Desconfiada da situação, Iara fotografou a bolsa utilizada na transfusão e percebeu posteriormente que ela estava identificada como sangue tipo A positivo. Segundo a família, Iraci possuía sangue tipo O positivo.

Pouco depois do início do procedimento, uma enfermeira e um plantonista do Hemocentro interromperam a transfusão.

Eu implorei por ajuda, mas eles só falavam para eu me acalmar, dizendo que era normal. Minha mãe começou a sentir muito frio, dores pelo corpo e ninguém fazia nada”, relatou a filha.

Segundo o prontuário hospitalar, a incompatibilidade teria sido percebida após a paciente receber cerca de 50 ml de sangue. O documento também registra piora clínica às 12h50.

Iraci morreu às 14h. O prontuário médico aponta como causa do óbito uma lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, conhecida pela sigla TRALI.

Denúncia de negligência

A família registrou ocorrência na Central de Atendimento da Polícia Civil de Augustinópolis por homicídio culposo devido à suposta inobservância de regra técnica.

Os familiares também denunciam dificuldades para acessar documentos legíveis e obter informações detalhadas sobre o atendimento prestado à idosa durante a internação.

Além da suspeita de erro transfusional, a filha da vítima afirma que houve demora da equipe médica em agir diante da reação adversa apresentada pela idosa logo após o procedimento.

Polícia Civil confirma investigação

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informou que o caso é investigado pela Polícia Civil, por meio de inquérito instaurado na 12ª Delegacia de Polícia de Augustinópolis.

Segundo a SSP, já foram realizadas diligências, oitivas de testemunhas e coleta de indícios para auxiliar na elucidação dos fatos.

Mais detalhes serão divulgados em tempo oportuno, a fim de não atrapalhar as investigações”, informou a pasta.

SES abriu apuração interna

Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins lamentou a morte da paciente e informou a abertura de procedimento interno para apurar possíveis inconformidades, desvios de rotina ou descumprimento de protocolos técnicos.

A secretaria afirmou ainda que a paciente deu entrada na unidade apresentando fraqueza, tosse, mal-estar e agitação, além de estar em tratamento para pneumonia viral.

A pasta sustenta que mantém mecanismos de monitoramento e que adotará medidas cabíveis caso sejam constatadas irregularidades após a conclusão da análise técnica.

 

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