Investigação

Servidor contratado do Detran é indiciado por corrupção após solicitar Pix em Araguaína

Ele tentou cobrar valores indevidos de uma vítima que denunciou o caso.

Por Redação 986
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22/01/2026 08h25 - Atualizado há 2 semanas
Servidor teria cobrado valores de um proprietário de veículo

Notícias de Araguaína – A Polícia Civil do Tocantins concluiu nesta quarta-feira (21) o inquérito que resultou no indiciamento de um servidor contratado do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) por corrupção passiva e ameaça, em Araguaína. O investigado, de 50 anos, é lotado no órgão e teve a conduta apurada pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC).

Segundo o delegado-chefe da 3ª Deic, Márcio Lopes da Silva, as investigações começaram após denúncia de um homem de 63 anos. Conforme o inquérito, em novembro de 2025, a vítima procurou o Detran para solicitar documentos de um veículo. Na ocasião, o servidor informou, de forma falsa, a existência de débitos pendentes e ofereceu “resolver” a situação mediante o pagamento de R$ 317,69, via PIX, para sua conta pessoal.

Ao checar a informação junto à Secretaria da Fazenda, a vítima constatou que não havia qualquer dívida e se recusou a efetuar o pagamento. A partir disso, passou a receber mensagens de áudio com tom intimidatório e ofensivo, enviadas pelo servidor.

Fraude e evidências

As apurações revelaram indícios ainda mais graves. Para simular a regularização do veículo, o investigado lançou no sistema uma comunicação de venda em nome de uma pessoa falecida desde 2020. Também ficou evidenciado que, embora a taxa oficial do serviço fosse de R$ 17,69, o servidor exigiu um valor quase 18 vezes maior, buscando um lucro ilícito de aproximadamente R$ 300.

Os áudios analisados pela polícia reforçam o elemento de ameaça, com frases como “você ainda vai precisar de mim” e “a gente ainda vai se encontrar”, além de ofensas dirigidas à vítima.

Providências

Em interrogatório, o investigado confessou a cobrança e o envio das mensagens, alegando se tratar de uma “prestação de serviço particular” — prática vedada a servidores no exercício da função.

Com a conclusão do inquérito, o delegado determinou o encaminhamento do relatório final ao Poder Judiciário e oficiou a Corregedoria do Detran para a abertura de processo administrativo disciplinar (PAD). Se condenado, o servidor responderá pelos artigos 317 (corrupção passiva) e 147 (ameaça) do Código Penal.

A Polícia Civil ressalta que a conduta é totalmente incompatível com os princípios do serviço público, agravada pelo fato de o autor conhecer a legislação e ter se valido do cargo para tentar obter vantagem de uma vítima idosa.

“A conduta, em tese, fere todos os princípios da administração pública, que deve primar pela legalidade. Com a conclusão do inquérito, o indivíduo deverá ser responsabilizado na forma da lei”, afirmou o delegado.

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