KIDS PRETOS

Trama golpista: coronel do Exército condenado pelo STF é preso pela PF em Palmas

Fabrício Moreira de Bastos recebeu pena de 16 anos por integrar o Núcleo 3.

Por Auro Giuliano | AF Notícias 6.867
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28/12/2025 12h13 - Atualizado há 5 meses
Fabrício Moreira é integrante das Forças Especiais do Exército - conhecidas como “kids pretos"

Notícias de Palmas - A Polícia Federal prendeu o coronel do Exército Fabrício Moreira de Bastos, integrante das Forças Especiais do Exército - conhecidas como “kids pretos”. A prisão ocorreu neste sábado (27/12), em Palmas, em cumprimento a uma das dez ordens de prisão domiciliar expedidas contra réus já condenados por envolvimento na trama golpista investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A medida integra uma operação nacional que executa decisões judiciais em oito estados e no Distrito Federal, com apoio do Exército em algumas diligências. Os alvos tiveram a prisão domiciliar decretada, com uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições.

Fabrício Bastos foi condenado no último dia 18 de novembro pela Primeira Turma do STF a 16 anos de prisão. Segundo a Corte, ele integrava o chamado Núcleo 3 da organização criminosa, responsável pelo planejamento de ações violentas, incluindo a articulação para o assassinato de autoridades, como parte da tentativa de ruptura institucional.

Além da prisão domiciliar, o coronel está proibido de utilizar redes sociais, manter contato com outros investigados ou condenados no processo e teve o passaporte apreendido. Também foram suspensos seus registros e documentos relacionados ao porte de arma de fogo.

A defesa do militar criticou a decisão e afirmou que a decretação da prisão é “arbitrária e ilegal”.

“Não há fundamentação de fato ou de direito que justifique essa medida. O coronel não ofereceu risco ao processo, respondeu a todos os atos processuais e cumpriu todas as determinações”, declarou.

De acordo com as investigações e com o próprio interrogatório prestado ao STF, Fabrício confirmou a existência de uma carta elaborada por oficiais com o objetivo de pressionar o alto comando do Exército a aderir à trama golpista. Ele também teria atuado no encaminhamento do documento a outros militares, buscando ampliar o apoio interno.

Ainda segundo a denúncia aceita pelo Supremo, o coronel participou de reuniões do grupo dos “kids pretos” e colaborou na formulação de diretrizes estratégicas para a execução do golpe. Entre os materiais atribuídos a ele está o documento intitulado “Ideias Força”, que propunha ações para acelerar a adesão interna no Exército e fomentar operações de desinformação e mobilização.

No interrogatório, Bastos afirmou que recebia ordens de um superior e classificou a carta como “muito mal escrita”, dizendo que deveria ser entendida como um “desabafo” dos oficiais envolvidos. As declarações, no entanto, não afastaram a responsabilização criminal reconhecida pelo STF.

A Polícia Federal informou que novas informações sobre o cumprimento das ordens judiciais serão divulgadas conforme o avanço das diligências.

Medidas após tentativa de fuga de ex-diretor da PRF

As prisões domiciliares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes ocorreram um dia após a tentativa de fuga do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, também condenado por envolvimento na trama golpista.

Silvinei foi preso no Paraguai enquanto tentava deixar o país com destino a El Salvador, utilizando documentos falsos. O episódio acendeu um alerta no STF quanto ao risco de evasão dos condenados, levando Moraes a decretar, no sábado, a prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica de dez réus ligados aos núcleos 2, 3 e 4 da organização criminosa.

Um dos alvos, Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, não foi localizado e é considerado foragido da Justiça.

Entre os demais alvos estão militares do Exército e ex-integrantes do governo federal, incluindo Fabrício Moreira de Bastos, preso em Palmas, além de ex-assessores e oficiais das Forças Armadas já condenados pelo STF por participação na tentativa de golpe de Estado.

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