Documento aponta reorganização administrativa como motivo da dispensa.
Notícias de Araguaína - Após quase 13 anos à frente do Instituto Médico Legal de Araguaína, a servidora Elizete Machado dos Santos Júnior deverá deixar a chefia do 2º Núcleo Regional de Medicina Legal.
A mudança, justificada oficialmente como parte de uma “reorganização administrativa”, surpreendeu servidores e profissionais que acompanharam sua atuação e passou a gerar questionamentos dentro e fora da instituição.
O pedido de dispensa consta em ofício da Diretoria de Medicina Legal, datado de 3 de julho de 2026 e encaminhado ao superintendente da Polícia Científica. Assinado digitalmente pelo diretor de Medicina Legal, Eduardo Henrique Vital Godinho, o documento solicita a retirada de Elizete da função de chefe do núcleo de Araguaína.
O ofício também determina que, após a dispensa, a servidora seja colocada à disposição da Superintendência da Polícia Científica para uma nova lotação ou designação. O documento, no entanto, não apresenta detalhes sobre os fatos que motivaram a reorganização nem informa quem deverá assumir o comando da unidade.
Elizete estava na chefia do IML de Araguaína desde dezembro de 2013. Durante esse período, participou de mudanças na estrutura física, na organização administrativa e na rotina de atendimento da unidade, que presta um serviço essencial à investigação criminal e ao acolhimento de famílias em momentos de perda e vulnerabilidade.
Entre colegas, sua gestão é associada à busca por melhores condições de funcionamento do instituto, à organização interna e à implantação de práticas voltadas ao atendimento mais humanizado. Servidores também destacam a postura de diálogo mantida com a equipe e com os familiares atendidos pelo órgão.
A longa permanência na função e o reconhecimento construído ao longo dos anos fizeram com que a decisão provocasse surpresa. Relatos encaminhados à reportagem apontam que parte dos servidores não tinha conhecimento prévio da mudança nem de situações administrativas que pudessem resultar na substituição da chefia.
“Desde que assumiu a chefia, Elizete sempre conduziu o trabalho com responsabilidade, respeito e dedicação. Sua saída inesperada deixou muitos servidores e pessoas da comunidade sem entender os motivos da mudança”, afirmou um servidor que pediu para não ser identificado.
Além da atuação administrativa, Elizete é descrita por colegas como uma profissional acessível, dedicada e comprometida com o serviço público. Segundo esses relatos, sua presença à frente do IML contribuiu para fortalecer a relação entre a unidade, os servidores e a população atendida.
Apesar da repercussão, a Secretaria da Segurança Pública, a Superintendência da Polícia Científica e a Diretoria de Medicina Legal ainda não divulgaram informações detalhadas sobre os critérios usados para a mudança. Até o momento, a única justificativa registrada no documento é a necessidade de reorganização administrativa.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação dos órgãos envolvidos, inclusive para esclarecimentos sobre os motivos da dispensa, a nova lotação da servidora e a definição de quem assumirá a chefia do IML de Araguaína.
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