Inovação tecnológica

Araguaína testa sonda inteligente capaz de monitorar a qualidade da água em tempo real

Equipamento permitirá identificar alterações e despejos irregulares de esgoto.

Por Redação
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01/06/2026 09h00 - Atualizado há 1 semana
Os estudantes criaram uma startup e estão patenteando o equipamento

Notícias de Araguaína - Uma tecnologia criada por estudantes tocantinenses poderá transformar a forma como Araguaína monitora seus rios, córregos, lagos e ribeirões. O Laboratório de Águas de Araguaína (Laboara) iniciou os testes de uma sonda inteligente capaz de acompanhar, em tempo real, a qualidade da água que abastece o município, permitindo identificar rapidamente alterações ambientais e possíveis fontes de contaminação.

O equipamento está sendo desenvolvido em parceria entre a Prefeitura de Araguaína, por meio do Laboara, a Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e o Instituto Federal do Tocantins (IFTO). A iniciativa une pesquisa científica, inovação tecnológica e gestão ambiental em um projeto pioneiro voltado à preservação dos recursos hídricos da cidade.

Equipamento funciona como vigilância permanente dos recursos hídricos

Instalada em pontos estratégicos dos mananciais, a sonda multiparamétrica realiza medições contínuas de indicadores físicos e químicos da água. Os dados são enviados instantaneamente para o laboratório por meio da internet, permitindo que pesquisadores e técnicos acompanhem as condições dos corpos hídricos sem a necessidade de deslocamentos frequentes para coleta de amostras.

Segundo o secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente e Turismo, Joaquim Quinta Neto, a tecnologia representa um avanço significativo na capacidade de monitoramento ambiental do município.

O equipamento avalia a qualidade da água em tempo recorde. No modelo tradicional, nossos técnicos precisam percorrer todos os pontos para fazer coletas periódicas de amostras e depois realizar análises laboratoriais. Com a nova tecnologia, teremos uma espécie de vigilância permanente dos recursos hídricos. Isso permitirá identificar rapidamente situações como despejos irregulares de resíduos ou alterações na qualidade da água, possibilitando uma atuação mais ágil das equipes de fiscalização”, explicou.

Projeto nasceu em competição de inovação e virou startup

A história da tecnologia começou em 2024, durante a Campus Party Goiás. O protótipo foi idealizado por alunos do IFTO durante um hackathon voltado à busca de soluções para os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Sob orientação do professor Alexandre Vilas Boas, o projeto evoluiu dentro do laboratório IFMaker da instituição e passou a contar com apoio técnico de pesquisadores, conselhos ambientais e órgãos públicos.

Esse protótipo surgiu durante o Hackathon da Campus Party Goiás, em 2024, focado em soluções para as mudanças climáticas. Apresentamos a proposta ao município e iniciamos uma rede de diálogos com conselhos ambientais, pesquisadores e o Ministério Público. O projeto se desenvolveu no laboratório IFMaker e hoje apresentamos um equipamento funcional, pronto para iniciar operações e passar por novas fases de aprimoramento”, destacou o professor.

O avanço da iniciativa levou os estudantes a criarem uma startup voltada ao desenvolvimento e comercialização da tecnologia. O grupo também trabalha no processo de patenteamento do equipamento.

Estudantes apostam na expansão da tecnologia

Para os jovens envolvidos no projeto, a iniciativa ultrapassou os limites da sala de aula e se transformou em uma oportunidade de empreendedorismo e inovação.

É uma experiência incrível. Não se trata apenas de um projeto acadêmico, mas do nascimento de uma startup. Nós, alunos, mesmo menores de idade, já sairemos do ensino médio técnico como sócios dessa empresa. Já fomos aprovados na primeira fase do edital Centelha e buscamos novos recursos para ampliar a produção. O interesse pela tecnologia já ultrapassou as fronteiras do Tocantins e despertou a atenção de empresas de tratamento de água e esgoto do Maranhão”, afirmou o estudante Samuel Orione, de 16 anos.

A expectativa é que, após a fase de testes, os equipamentos sejam instalados em pontos estratégicos dos cursos d'água da cidade, ampliando a capacidade de monitoramento ambiental do município.

Laboara monitora 40 pontos em rios, córregos e lagos

Responsável pelo monitoramento da qualidade da água em Araguaína, o Laboara atua como um dos principais centros de inteligência ambiental do município.

Atualmente, o órgão acompanha sistematicamente 40 pontos de interesse público distribuídos entre rios, córregos, ribeirões e lagos. Desses, 28 são áreas utilizadas para banho e lazer, que recebem monitoramento contínuo para garantir a segurança sanitária da população.

Projeto Banhar Araguaína protege banhistas

Uma das principais frentes de atuação do laboratório é o Projeto Banhar Araguaína, que realiza análises microbiológicas para verificar a presença de bactérias e outros agentes que possam representar riscos à saúde.

Com base nos resultados, são emitidos os boletins de balneabilidade que orientam a população sobre as condições seguras para banho nas praias e balneários da cidade.

O trabalho também auxilia na identificação de áreas vulneráveis e no direcionamento de ações de saneamento básico.

Fiscalização ambiental combate descarte irregular de esgoto

Além das análises voltadas ao lazer e à saúde pública, o Laboara atua por meio do Projeto Monitorágua, que tem como foco identificar fontes de poluição e rastrear o lançamento irregular de esgoto doméstico e resíduos industriais nos cursos d'água.

Segundo a coordenadora do laboratório, Giovanna Campos, o conjunto de dados produzido pela equipe científica se tornou uma ferramenta estratégica para a proteção ambiental do município.

O monitoramento contínuo funciona como um escudo de proteção para ecossistemas importantes e historicamente pressionados pelo crescimento urbano, como o Rio Lontra e o Lago Azul. O banco de dados produzido pelo laboratório oferece suporte técnico para as ações de fiscalização, aplicação de sanções ambientais e elaboração de políticas públicas voltadas à recuperação de nascentes e ao planejamento urbano sustentável”, ressaltou.

Com a chegada da nova tecnologia, Araguaína dá mais um passo na modernização da gestão ambiental e amplia sua capacidade de vigilância sobre os recursos hídricos, considerados essenciais para o abastecimento, a preservação dos ecossistemas e a qualidade de vida da população.

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