Araguaína

"Atitude autoritária e conservadora" diz UFT sobre Faculdade Católica; Conselho de Psicologia repudia

Por Agnaldo Araujo
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18/04/2017 14h30 - Atualizado há 2 semanas
O Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Sexualidade, Corporalidades e Direitos da Universidade Federal do Tocantins (UFT) repudiou de forma veemente a atitude da direção da Faculdade Católica Dom Orione em vetar a participação da pesquisadora Valeska Zanello no encontro de psicologia da instituição, em Araguaína. O veto ocorreu devido ao posicionamento feminista pró-aborto da professora Valeska. A direção também justificou afirmando que acolheu "respeitosamente as objeções feitas pelo Bispo Diocesano, quanto à participação no encontro de uma profissional conhecida por sua atuação em favor do aborto". O núcleo classificou a atitude como "autoritária e conservadora".
“Essa postura institucional anti-laica e incapaz de compreender a urgência pedagógica deste debate à formação profissional em psicologia, demonstra o quanto precisamos estar atentas ao modo como o fundamentalismo tem buscado incidir contrariamente aos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil através de argumentos que promovem uma ideia de educação 'neutra' e ‘imparcial’”, afirma a nota de repúdio.
Conselho Regional de Psicologia O Conselho Regional de Psicologia – 23ª Região (CRP-23) também manifestou repúdio à atitude da direção da Faculdade Católica Dom Orione em barrar a palestrante Valeska Zanello. "O conselho considera que a censura pública de temas que são essenciais para a formação do psicólogo é extremamente prejudicial para a qualidade da formação profissional [...]", diz a nota.
"Entendemos que a discussão de temas essenciais para o desenvolvimento das políticas públicas e a efetivação dos direitos e garantias fundamentais não configuram qualquer tipo de apologia, e que qualquer movimento contrário à liberdade de opinião e de pensamento coloca em sério risco a garantia da psicologia como ciência e profissão no Brasil", acrescentou.
Veja a nota do conselho completa clicando aqui. Veja a nota da UFT na íntegra Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Sexualidade, Corporalidades e Direitos - UFT divulga Nota de Repúdio à Direção Geral e Acadêmica da Faculdade Católica Dom Orione de Araguaína/Tocantins pelo veto à participação de pesquisadora feminista em evento do curso de psicologia. Palmas, 17 de abril de 2017. NOTA DE REPÚDIO "O Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Sexualidade, Corporalidades e Direitos, criado em agosto de 2009 junto a da Universidade Federal do Tocantins – UFT, vem a público repudiar a decisão da Direção Geral e Acadêmica da Faculdade Católica Dom Orione apresentada na Comunicação Interna nº 001/2017, que recusa o nome da Professora Doutora Valeska Zanello (Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília – UnB) para o I Encontro de Psicologia da Faculdade Católica Dom Orione de Araguaína, Tocantins. Neste documento, a Direção Geral e Acadêmica da Faculdade Dom Orione justifica a recusa da participação da pesquisadora da UnB indicando que acolhe “respeitosamente as objeções feitas pelo Bispo Diocesano, quanto à participação no I Encontro de Psicologia de uma profissional conhecida por sua atuação em favor do aborto”. O Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Sexualidade, Corporalidades e Direitos, sob coordenação da Professora Doutora Bruna Andrade Irineu (Curso de Serviço Social/UFT) e Professora Doutora Cristina Vianna Moreira dos Santos (Curso de Psicologia/UFT), reúne pesquisadoras e pesquisadores engajadas/os com os estudos de gênero e sexualidade, especialmente com a perspectiva teórico-política feminista de combate ao sexismo, o racismo e a LGBTfobia, bem como a garantia de autonomia e direito ao corpo às mulheres nos processos decisórios que incidem em sua vida. Assim, repudiamos veementemente a atitude autoritária e conservadora da direção da Faculdade Católica Dom Orione em vetar a participação da pesquisadora no evento por seu posicionamento público feminista pró-aborto. Essa postura institucional anti-laica e incapaz de compreender a urgência pedagógica deste debate à formação profissional em psicologia, demonstra o quanto precisamos estar atentas ao modo como o fundamentalismo tem buscado incidir contrariamente aos direitos sexuais e reprodutivos no Brasil através de argumentos que promovem uma ideia de educação “neutra” e “imparcial”. Recentemente, o projeto de lei “Escola sem partido” tem divulgado ideia semelhante onde propõe especialmente a “despolitização” das escolas de educação básica. Esse contexto de recrudescimento do conservadorismo tem auspiciado a reverberação do ódio à democracia. Nossa solidariedade a pesquisadora da UnB, à equipe organizadora do evento e a todas às mulheres que cotidianamente são aviltadas e interpeladas pelo sexismo sustentado por argumentos fundamentalistas e conservadores". Saudações Feministas, Profª Drª Bruna A. Irineu Profª Drª Cristina Vianna M. dos Santos Coordenação do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Sexualidade, Corporalidades e Direitos - UFT

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