Eleições 2018

Ciro Gomes avalia Bolsonaro como 'patético' e culpa Temer por tragédia econômica

Por Agnaldo Araujo
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02/04/2018 20h38 - Atualizado há 1 mês
Nielcem Fernandes // AF Notícias Durante visita a Palmas (TO) para prestigiar a solenidade de filiação da senadora Kátia Abreu ao PDT, o ex-ministro e atual pré-candidato à presidência da República, Ciro Gomes, falou sobre seu projeto de governo, apontou soluções para sair da atual crise e comentou sobre o fenômeno Bolsonaro. Industrialização "Em 1980, o Brasil tinha um terço de sua riqueza tirada da indústria. Hoje a produção industrial brasileira é de menos de 11% da nossa riqueza. É o processo mais brutal de desindustrialização da história do capitalismo mundial. Por erro de concepção estratégica" argumentou. De acordo com o pré-candidato, esse processo de estagnação da indústria brasileira é devido, em grande parte, ao desajuste fiscal e econômico do país. "Ciclicamente o país entra em crise no seu balanço de pagamento por que não dá para pagar as importações e investimentos em tecnologias apenas com o dinheiro da soja, milho e minério bruto. Essa conta não fecha". E continuou "a Dilma (Rousseff) não cometeu crime nenhum crime. O que aconteceu foi que os preços das comodities despencaram e o Brasil ficou com uma fratura exposta na economia. E ao desvalorizar sua moeda, o povo perde a capacidade de consumir do dia para a noite, fica com ódio e atribui esse ódio ao governante do dia. Nós precisamos desarmar essa bomba" explicou. Ciro citou os caminhos a serem seguidos para arrancar o Brasil desse estado de crise. Um deles, segundo o ex-ministro é o complexo industrial do agronegócio que importa a maioria dos insumos e aparato tecnológico. "Todos os defensivos agrícolas são importados. Todos os implementos e maquinário são importados. Precisamos agregar o máximo de valor também no pós-produção. A maioria do processamento de grãos em território brasileiro é feito por multinacionais. O Brasil tem que verticalizar. Esse complexo industrial é flagrante" afirmou. O atual vice-presidente do PDT utilizou a mesma explicação para a industrialização da saúde e do petróleo e seus derivados. "É inadmissível que um país como o nosso exporte petróleo bruto e importar cerca de 60% do óleo diesel que estão circulando nas ruas de Palmas. Nós estamos gerando empregos nos Estados Unidos. A mesma coisa  a saúde. Só no ano passado a União comprou do exterior, gerando empregos na China, Japão e Estados Unidos 17 bilhões de dólares. Só com coisas da indústria. Com engenharia reversa associada aos centros universitários e jovens empreendedores podemos resolver isso" completou. Municípios O diagnóstico da atual situação econômica dos municípios, segundo o Ciro Gomes, é o quadro mais grave dentro do pacto federativo brasileiro. O experimentado político, afirmou que há algum tempo vem se dedicando a refletir sobre o Brasil. Para ele, o sistema de tributação fiscal deve ser mudado. “A questão dos municípios entra em uma quesito mais grave. Quem governou sobre a era da Constituição de 1988 como prefeito, sabe o desastre que tem acontecido de lá pra cá. Crescentemente Brasília onera os municípios e Brasil precisa redesenhar o seu pacto federativo. Creio que isso deve ser feito dentro de um âmbito de um novo desenho fiscal do país. a única formula que o Brasil tem de sair dessa "encalacrada" é mudar o sistema tributação que hoje cobra muito mais de quem pode pagar menos, e muito menos dos que podem pagar mais” ponderou. Crise O pré-candidato à presidência da República acredita que uma crise sem precedentes pela qual o país está passando não se instaura da noite para o dia, é um processo que vem se desenvolvendo ao logo dos anos. O polêmico Ciro Gomes criticou o atual governo, e caracterizou o grupo do presidente Temer como uma quadrilha. “Tragédia não se constrói do dia para a noite, é uma sequência de imprudências. Empoderou-se quem não deveria ser empoderado, uma quadrilha. Estão quase todos na cadeia, para lá vão todos. Os conheço de longa data” disparou. O vice-presidente do PDT avisou que a crise só vai acabar com a eleição. “Não tem outra forma se não carregarmos todas as nossas energias e trazer o povo para limpar isso ai. Fazer uma ‘"desratização" geral do poder brasileiro” assegurou. PT “Faz 16 anos que eu apoio o Lula. o Ceará deu dois terços dos votos contra o impeachment da Dilma e bancamos essa posição com refúgio na história por que sabíamos que aquilo era um equívoco e o povo compreendeu nosso gesto. isso é o concreto. Mas não significa que eu sou obrigado a aceitar a estratégia que uma parte burocrática do PT quer impor ao país. Eu não posso fazer isso. Não podemos colocar nenhum valor acima da nação que pretendemos servir”  esclareceu o ex-ministro sobre o questionamento da relação entre os partidos. Ciro Gomes disse ainda que o Brasil é o único país organizado do mundo que concede aos réus quatro graus de jurisdição. Diferente do resto do mundo onde os réus têm apenas duas instâncias para recorrer. O professor de direito por profissão, desaprovou as manobras jurídicas lançadas como forma de tumultuar os processos e retardar a justiça. “Ao invés de resolver os problemas e acabar com essa história de quatro graus de jurisdição para coisas triviais, a gente começa a inventar soluções intermediárias que violentam a consciência jurídica” explicou. “O Lula está condenado em segunda instância e a lei é clara. ela diz que o cidadão (homem ou mulher) condenado em segunda instância pelo colegiado perde a franquia de ser candidato. isso é uma injustiça palmar. E se ele for absolvido na terceira ou quarta instância? É uma impertinência que está em vigor e nunca se abriu uma exceção a essa lei” esclareceu Ciro. Apesar do apoio ao ex-presidente, o democrático trabalhista não concorda com as manobras jurídicas realizadas. “Qual é a solução? É ficar agitando liminar judicial e puxando recursos impertinentes para ganhar alguns dias e deixar a nação na ‘ponta dos pés’ por causa de um desastre como o que está acontecendo na política na brasileira?” questionou. Bolsonaro Na opinião do Ciro Gomes, o pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) não passa de um ato de repulsa de uma fração da sociedade brasileira que se cansou da política em razão de um "defeito genético de má formação impossível de ser corrigido". Ciro classificou o possível adversário como despreparado e patético. “Ele é uma resposta tosca, como sempre aconteceu em momentos de desorientação política somada com crise e maus exemplos vindos de cima. Ele não é uma novidade. Para a nossa sorte, ele é o mais despreparado interprete dessas coisas, chega realmente a ser patético. espero que a sociedade brasileira veja isso na oportunidade” alfinetou o polêmico ex-ministro.

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